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Produção de medronheiros está em perigo?

“Se não chove, os medronhos não servem nem para jogar ao berlinde”, a afirmação é de Deodato Cavaco, produtor de medronho.

Depois de séculos de quase abandono, o medronheiro (Arbutus unedo L.) tem sido, nos últimos anos, o foco de várias academias do País em parceria com entidades oficiais e associações do setor, para conhecer e explorar melhor o potencial da planta e do seu fruto, o medronho.

Produtores, técnicos, investigadores e associações juntaram-se para (re)descobrir e valorizar esta planta autóctone à qual durante muito tempo foi dada muito pouca atenção. Atualmente, o medronheiro desperta o interesse de potenciais produtores de norte a sul do País, devido à possibilidade de utilizações alternativas, e mais rentáveis, à tradicional aguardente como a venda em fresco, para polpas, sumos e compotas, para cosmética ou farmacêutica, bem como para planta ornamental.

Estas são algumas das opções, para além da sua integração numa estratégia de prevenção aos incêndios, pela sua resiliência e rápida capacidade de regeneração.

Contudo, a produção de medronheiros estará em perigo se não chover nos próximos tempos.

Na serra do Caldeirão, no Sítio da Cortelha, onde Deodato Cavaco tem a sua plantação de medronheiros, o terreno é acidentado e o agricultor que plantou há sete anos cerca de 120 mil medronheiros numa área de 120 hectares, garante que a seca está a dar cabo da produção.

“Isto para se desenvolver precisa de água, se não chover em agosto ou setembro estes medronhos nem para jogar ao berlinde servem”, afirmou o produtor.

Os tempos são incertos e reina uma grande incerteza, uma vez que, esta planta que dá o fruto a partir do qual se produz a aguardente de medronho vive sobretudo da água da chuva. Na ausência da mesma, os terrenos vão ficando cada vez mais secos e os frutos não se desenvolvem.

Perto de um arbusto já bem alto, o produtor explicou que “o medronho é criado dentro desta carapuça” e “agora leva até outubro que é quando se irá apanhar e isto terá três fases”. Os frutos crescem a ritmos diferentes na árvore e a apanha tem que ser feita em três tempos desiguais, à medida que vão passando de verdes para amarelos e finalmente a vermelhos.

Deodato Cavaco afirmou que já no ano passado a situação não foi muito mais “encantadora,” revelando que a produção também foi muito baixa, “Não choveu quando devia ter chovido, o fruto secou e a produção não chegou aos 50”. O agricultor vê com dificuldade que a produção este ano possa vingar se não vier uma chuva persistente já nos próximos tempos.

“Era preciso uma chuva durante pelo menos uma semana para a água ficar na terra. Se só chover em abril e maio, estamos a falar de uma distância ainda de dois meses. Quando vier essa altura já estará tudo seco”, afirmou.

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