//Chícharos com bacalhau assado

Chícharos com bacalhau assado

Leguminosas que eram muito comuns em Portugal, sobretudo nas aldeias serranas do concelho de Ourém.

Os chícharos são um tipo de leguminosa que era muito comum em Portugal, sobretudo nas aldeias serranas do concelho de Ourém, onde os terrenos são áridos e pobres, pois a sua cultura não é exigente e resiste bem às secas. Assemelham-se ao tremoço, mas têm uma textura suave e aveludada. Muitas vezes usados como forragem, nas casas mais pobres eram a base da dieta alimentar e, por isso, associados a tempos de escassez. Caíram em desuso em meados do século passado, provavelmente devido a essa ligação com a pobreza e à medida que as condições de vida foram melhorando. No entanto, são ricos em nutrientes e muito versáteis. Mais recentemente, voltaram a ser semeados e, para a sua promoção, organiza-se anualmente, desde 2003, no concelho vizinho de Alvaiázere, um festival que atrai inúmeros visitantes desejosos de provar este verdadeiro pitéu bem português. Nesta mesma localidade e com o mesmo objetivo, foi criada em 2010 a Confraria do Chícharo.

Ingredientes
Cebola; azeite; chícharos; miolo de broa; bacalhau assado.

Preparação
Na véspera de os chícharos serem cozinhados, são escolhidos para dentro de um alguidar, cobrem-se de água abundante e ficam de molho uma noite. Em seguida, cozem-se como se fossem feijões e, depois de cozidos, deitam-se num prato com miolo de broa e cebola crua picada. Mistura-se tudo e estão pron¬tos a comer como acompanhamento de bacalhau assado, regado com bom azeite3.
Este prato de bacalhau com bom porte tem como aliado um vinho branco intenso e estruturado, com estágio em madeira. A acidez e a persistência são fulcrais para compensar a suculência deste prato. Opte por um branco da Região Tejo.

Ourém
Terra de velhos pergaminhos, Ourém já era citada no Século XII, quando ainda era conhecida por Abdegas. Com a expulsão dos árabes do território pelas forças de D. Afonso Henriques, o topónimo foi alterado para Aurem, que viria a dar em Ourém. Frei Bernardo de Brito, na “Crónica da Ordem de Cister”, tem uma ver¬são bem mais poética acerca do nome do concelho. Conta que, no distante dia de São João de 1158, João Henriques, um cristão que participou na tomada do castelo de Alcácer do Sal, raptou uma princesa árabe e escondeu-a num recanto da Serra de Aire. Fátima, uma moura de coração doce, apaixonou-se pelo seu sequestrador e converteu-se ao cristianismo, mudando o nome para Oureana. O lugar onde o casal se refugiou na serra viria, segundo Frei Bernardo de Brito, a adotar o nome cristão da princesa, dando origem a Ourém, a vila de Oureana.
Com a erradicação dos sarracenos desta região, D. Afonso Henriques entregou à Ordem de Cister uma boa parcela de terras. Os monges instalados no Mosteiro de Tomareis amanhavam os solos e tor¬naram-se um motor impulsionador da economia da zona. O vinho, elemento tão simbólico na Eucaristia, foi um dos produtos a que a Ordem se dedicou com cuidado. Apreciado por toda a região, os monges transmitiram aos habitantes da zona o seu método de produção de vinho.
Atualmente, este vinho palhete, cujo método de vinificação conta com oitocentos anos de história, constitui uma das muitas ofertas genuínas e de qualidade disponíveis na «Ucharia do Conde», um espaço de promoção dos produtos locais situada no edifício da antiga prisão, no bonito Centro Histórico de Ourém.