//Alto Minho quer criar o ‘Ecomuseu da Transumância’
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Alto Minho quer criar o ‘Ecomuseu da Transumância’

A Câmara de Melgaço quer envolver os municípios vizinhos de Monção e Arcos de Valdevez na criação do ‘Ecomuseu da Transumância’ que promete preservar esta tradição secular que faz parte da história da Serra da Peneda.

Se o caminho passar por uma estratégia supramunicipal, estaremos abertos a isso. Temos de inspirar-nos nas boas práticas, como é o caso do ecomuseu do Barroso, em Montalegre, no distrito de Vila Real e adaptá-las ao nosso território. Já fiz os primeiros contactos, mas temos que aprofundar o diálogo. Neste momento, ainda não temos o modelo de colaboração definido, mas queremos aferir melhor as condições de um trabalho em conjunto”, afirmou José Adriano Lima, vice-presidente da câmara de Melgaço.

Os primeiros passos na implementação do ‘Ecomuseu da Transumância’ foram dados na Branda da Aveleira, com a reabilitação do Forno da Telha. Em declarações à agência Lusa, José Adriano Lima, explicou que tanto a junta de freguesia de Gave, onde está situada a Branda da Aveleira, como os promotores privados e a autarquia, estão interessados em “preservar a identidade cultural e promovê-la além-fronteiras”.

Além do Forno da Telha, foi construído um conjunto de estruturas interpretativas da paisagem cultural, como passadiços a marginar o rio Aveleira, entre outras ações.

Para o vice-presidente da autarquia, a Branda da Aveleira “é um espaço icónico, com um percurso com muitos anos e muito investimento público e privado, algum com apoio de comunitário, apontando como exemplos, o alojamento criado nas cardenhas, um restaurante, explorações pecuárias e agrícolas, como uma exploração de vinho e uma plantação de batata”.

Já o presidente da junta de freguesia de Gave, Agostinho Alves, referiu que a criação do Ecomuseu da Transumância é “um anseio antigo por ser importante para a valorização do património material e imaterial da Branda da Aveleira”.

É um projeto que já vem tarde. Já devia estar no terreno há vários anos para trazer desenvolvimento, relembrar o passado e manter as características destas tradições”, disse o autarca.

A constituição do Ecomuseu da Transumância está prevista na Declaração Patrimonial da Aveleira, assinada em 1996, aquando da realização do projeto Memória e Fronteira.

Precisamos de desenvolvimento sustentável, ambiental e socioeconómico. Não queremos turismo em massa. Queremos um projeto bem estruturado que ajude a divulgar a história deste território e os seus costumes”, adiantou Agostinho Alves.

A transumância, que ocorre entre maio e setembro na serra da Peneda, à entrada do Parque Nacional da Peneda Gerês, é uma tradição que chegou a mobilizar uma centena de ‘brandeiros’, pastores que cumpriam a chamada transumância, em meados do século XX.

A aldeia de Branda da Aveleira, situada a 1.120 metros de altitude, na freguesia de Gave, é uma das muitas brandas que se encontram espalhadas pelas zonas mais altas do Alto Minho.

Conta com cerca de 80 casas, denominadas ‘cardenhas’, que serviam de abrigo aos brandeiros, e que se caracterizam pela sua rusticidade, formando um conjunto ímpar. Os pastores aí permaneciam de maio a setembro, para retirar partido de melhores pastos, regressando à aldeia quando as chuvas prenunciavam o fim de mais um ciclo.

 

Fonte: Lusa