Friginada

A Friginada é um prato típico da região de Ourém, confeccionado na altura da matança do porco e cuja designação é um regionalismo que significa fritada. Depois de morto e chamuscado, seguia-se a lavagem e a esfola do animal, tarefa que cabia aos homens, enquanto as mulheres, na cozinha, cortavam as miudezas, como o fígado e os pulmões, a que vulgarmente se chama bofe, e algumas carnes gordas, que depois eram temperadas e deixadas em repouso algumas horas para apurarem o gosto. Com a entrada em vigor de legislação que proibe o abate do porco em casa, bem como as transformações sócio-económicas ocorridas no mundo rural, foram desaparecendo os rituais inerentes à matança do porco, provocando a alteração parcial dos preceitos que presidiam à confecção deste prato, que passou a ser mais raro e cozinhado com carne comprada no talho. Os próprios acompanhamentos foram sendo diversificados e, embora a broa continue a estar presente, é acompanhada por batatas e grelos de nabo, cuja abundância coincide com a época em que a matança seria feita.

Ingredientes

300 g carne de porco cortada em cubos; 300 g de entrecosto cortado em pequenos pedaços; 3 dentes de alho; 2 colheres de sopa de banha; 2 folhas de louro; vinho branco q.b.; sal, pimenta, colorau, comi¬nhos, cravinho q.b.

Preparação

Tempera-se toda a carne cortada com sal, pimenta, colorau, cominhos, cravinho, os dentes de alho pica¬do, o louro e o vinho. Deixa-se repousar o preparado durante 2 a 3 horas. Num tacho de barro, coloca-se a banha que vai ao lume para derreter, juntando-se seguidamente o preparado anterior, que se deixa cozinhar em lume brando. Aos poucos, vai-se refres¬cando com o vinho. Acompanha com migas de feijão, couve e broa esfarelada ou com grelos5.

Harmonização vínica

Este prato de carne de porco pede para ser acompa¬nhado com um vinho tinto complexo, com madeira. Na região vitivinícola do Tejo existem escolhas muito adequadas, principalmente as que nos chegam dos terroir do Bairro e da Charneca.

O texto e a receita apresentados estão publicados no Livro «Os Sabores da Nossa Terra» pela Adirn – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte.

A foto que acompanha este texto resulta do empratamento feito pela Escola Profissional de Hotelaria de Fátima após confeção de acordo com a receita tradicional.

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