“Brindes para crianças nos supermercados são estratégia eficaz”

Quem o afirma é Hélia Pereira, professora de Marketing, acrescentando: “muitos pais mudam de supermercado, voltam mais vezes à loja, fazem mais compras”.

”As cadeias de supermercados voltam a apostar em peluches de animais, miniaturas de compras, animais do Jardim Zoológico ou kits de jardinagem para atrair mais famílias a fazer compras. E as crianças, claro, insistem com os pais para que façam mais compras com o objetivo de alcançar os desejados prémios.

Em entrevista à Deco Proteste a docente Hélia Gonçalves Pereira considera que esta estratégia é “muito eficaz” porque as marcas conhecem perfeitamente o que considera serem as três variáveis fundamentais: a capacidade de atrair clientes à loja, de garantir que esses clientes voltam e de aumentar o volume de compras médias que esses clientes fazem na loja.

A professora de Marketing no ISCTE lembra que atualmente são as crianças que detêm maior capacidade de influência sobre estas três variáveis. O espírito competitivo que existe entre as crianças e que, regra geral, é apoiado pelos pais, leva a que se unam esforços para completar a coleção mais rapidamente do que os amigos e colegas de escola.

Pegando no exemplo das miniaturas oferecidas pelo LIDL, Hélia Pereira lembra que “até foram criadas páginas nas redes sociais para comprar e vender estas miniaturas, tendo algumas delas atingido preços quase pornográficos. Mas isso permitia a um pai desesperado conseguir aquela miniatura que lhe faltava para completar a coleção”.

A especialista considera, no entanto, que não existem riscos nesta estratégia, porque embora sendo agressiva, “nenhum pai é obrigado a fazer aquela coleção”. Referindo-se à componente sociológica, lembra que, “por outro lado, os pais têm alguns sentimentos de culpa pelas vidas ativas que levam e por terem cada vez menos tempo disponível para as crianças. Portanto, é-lhes mais difícil dizer não às crianças.

Colocada perante a questão de corrermos o risco de incutir um espírito demasiado consumista nas crianças, Hélia Pereira responde: “Há um grande risco, sim, mas não é só por via destas coleções lançadas pelos supermercados. Temos, de facto, crianças cada vez mais competitivas, que acham que o importante é ganhar ou chegar primeiro, que não recebem um ’não’ como resposta e que, por isso, têm mais dificuldade em lidar com a rejeição e com a crítica”.

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