//Voltar ao mar da forma certa “pescar menos, e cultivar mais…”

Voltar ao mar da forma certa “pescar menos, e cultivar mais…”

Alimentar o mundo de forma sustentável? A resposta está na natureza e foi encontrada por Bernardo Ferreira de Carvalho, fundador da Oceano Fresco, uma empresa de aquacultura de bivalves.

A Oceano Fresco encontrou no Mar a sua inspiração, tendo como objetivo maior alimentar o mundo de forma sustentável. Para isso, foi à natureza ‘buscar’ o melhor que ela já oferecia: as amêijoas e bivalves.

Mas como assim ir à natureza ‘buscar’ aquilo que ela já oferece?  Bernardo Ferreira de Carvalho explica que “Há imensas espécies na base da cadeia alimentar que a natureza já tem e que nos podemos comer, o que temos de fazer é aplicar a ciência técnica de gestão do século XXI nessas espécies que são sustentáveis e cultivá-las em escala para alimentar o mundo.”

A almeja babosa é uma espécie nativa europeia ameaçada e em declínio, procurada e apreciada em todas as regiões de Espanha no ano inteiro. É esta a espécie que a empresa de aquacultura de bivalves quer desenvolver e que aponta como resposta para uma alimentação sustentável.

Como parte do seu projeto, a Oceano Fresco construiu um Centro Bio Marinho de última geração que inclui uma maternidade, laboratórios, e escritórios, na Nazaré, bem como um viveiro em mar aberto de 100 hectares ao largo da costa da região do Algarve, com capacidade para produzir 600 toneladas de amêijoas por ano.

Com estes ativos, a empresa aplica métodos avançados de seleção e reprodução de espécies nativas europeias de amêijoas de alto valor nutritivo e de mercado e aposta agora no futuro da aquacultura sustentável com a espécie almeja babosa.

“Pode observar-se uma verdadeira maternidade de bivalves, onde se produzem 100 milhões de amêijoas bebés muito pequenas, que são chamadas de semente, porque como acontece com as sementes podemos agarrar num punhado destas amêijoas e atirá-las para um viveiro como se fossem uma planta.” afirmou o fundador da Oceano Fresco.

Neste viveiro a forma de cultivo é feita como na natureza, apostando em duas espécies autóctones europeias que quase desapareceram devido a uma espécie invasora asiática. O objetivo passa por combinar a sustentabilidade económica com a ambiental, uma vez que, ao reproduzir estas amêijoas no viveiro em grande quantidade a empresa está a ajudar a repovoar estas amêijoas europeias no meio natural.

A Oceano Fresco prepara-se para lançar, em larga escala, as suas operações comerciais, começando com variedades de espécies premium de amêijoas nativas da Europa. Planeia construir um centro de operações em terra para armazenamento, embalamento e expedição da produção ao mesmo tempo que aposta no estudo e na aquisição de equipamentos para assegurar o bom funcionamento deste novo centro.

Numa primeira fase, a expansão da empresa focar-se-á em Espanha e Portugal, onde já contam com investidores, parceiros e clientes. A Oceano Fresco espera atingir nove milhões de euros em vendas em menos de 3 anos. O ano de 2021 marcou o arranque da primeira produção de mais de 50 milhões de sementes de amêijoa.

“Somos a única empresa do mundo que cultiva amêijoas em mar aberto e apresentamo-nos enquanto alternativa sustentável à pesca intensiva como fonte de proteína, restabelecendo a biodiversidade e os stocks marinhos. O nosso foco é Ibérico, enquanto estabelecemos as fundações para sermos um negócio à escala mundial.”, explicou o CEO da Oceano Fresco, deixando ‘no ar’ uma reflexão muito importante perante a qual resulta difícil ficar indiferente: “É preciso voltar ao mar da forma certa. Tal como nós praticamente não caçamos na terra, cultivamos os nossos alimentos, no mar temos que começar a caçar menos, ou seja, pescar menos, e cultivar mais…”

 

Finanças Verdes

Como parte do seu compromisso de sustentabilidade, a Oceano Fresco recorre às finanças verdes para crescer. No início de abril, a empresa lançou a sua décima primeira campanha de financiamento colaborativo com a GoParity, uma plataforma de investimentos sustentáveis para projetos sociais e ambientais, em que espera angariar 250 mil euros de forma ética.

Desde janeiro de 2020, a Oceano Fresco já angariou 1.55 milhões de euros recorrendo à comunidade de investidores da GoParity. Este método de financiamento colaborativo é uma alternativa à banca tradicional que reforça a sustentabilidade dos projetos de impacto por democratizar a distribuição de juros que são pagos às carteiras individuais de investidores e não a grandes instituições financeiras.

Sobre a GoParity

A GoParity é a primeira plataforma portuguesa de acesso a investimento de impacto, com base num dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Junta projetos de impacto social e ambiental à procura de financiamento a pessoas que queiram investir em negócios que promovam a sustentabilidade. O seu objetivo é criar um ‘banco verde’.

 

Fonte: GoParity