//Vinhos portugueses não temem néctares internacionais
paolo basso

Vinhos portugueses não temem néctares internacionais

‘Desafio de Lisboa’ volta a comprovar tese de que Portugal tem grandes vinhos, que em nada ficam a dever a outros grandes vinhos do mundo.

‘O Desafio de Lisboa’ que teve lugar na 22ª edição do Encontro com Vinhos, entre os dias 6 e 8 de novembro, na capital, colocou frente a frente grandes vinhos portugueses e ícones europeus de França, Itália e Espanha e os resultados revelaram-se muito equilibrados.

Inspirado na mais célebre prova de vinhos da história, o “Julgamento de Paris”, que em 1976 colocou às cegas, vinhos franceses e californianos com resultados surpreendentes, em Portugal, o desafio pôs em prova três rondas de vinhos brancos, seis de vinhos tintos e uma de vinhos de sobremesa. 

Em todas, um vinho português esteve em confronto direto com um vinho internacional, onde os jurados pontuaram cada vinho numa escala de 0 a 20 pontos, sem conhecimento prévio do país, denominação de origem ou casta, e os vinhos portugueses alcançaram dois primeiros lugares em três possíveis. 

Na categoria dos vinhos brancos, o vencedor foi o Vinha dos Utras 2019, elaborado na ilha do Pico, Açores, pela Azores Wine Company. Na segunda posição ficou o Riesling Cuvée 2013 de Frédéric Émile Trimbach (Alsácia, França) e o terceiro foi o Rene et Vincent Dauvissat Chablis 2014 (Borgonha, França).

vinho dos ultras

A maior surpresa da prova foi o resultado obtido pelo vinho português Falcoaria Colheita Tardia 2016, elaborado na Quinta do Casal Branco, no Tejo, a partir das castas Viognier e Fernão Pires. Em confronto direto com o Château Rieussec 2017, reputado vinho francês de Sauternes, o Falcoaria ganhou por larga margem o flight dos vinhos de sobremesa.

vinho falcoaria

Por fim, nos tintos, o vencedor foi o Veja Sicília Valbuena 5º 2013, icónico vinho espanhol da Ribera del Duero, em que predomina a casta Tempranillo. Na segunda posição classificou-se o alentejano Mouchão Tonel 3-4 2013 e os terceiros melhores tintos, com igual mérito, foram dois vinhos do Dão: Textura da Estrela Jaen 2019 (Textura Wines) e Quinta da Pellada Carrocel 2014 (Álvaro de Castro).

´O Desafio de Lisboa´ voltou a surpreender e a comprovar a tese de que Portugal tem grandes vinhos. Assim sendo, segundo Nuno Guedes Vaz Pires, diretor da “Revista de Vinhos”, organizadora do evento, a conclusão que se pode retirar é uma e muito importante: “Portugal tem grandes vinhos, que em nada ficam a dever a outros grandes vinhos do mundo. Não há que ter medo em compará-los ou apresentá-los perante painéis de especialistas, incluindo neste tipo de confrontação direta, porque os resultados serão sempre muitos positivos”.

Paolo Basso, “Best Sommelier of the World 2013”, e Guilherme Corrêa (DipWset) conduziram a prova que contou a participação de um painel de jurados constituído por 18 especialistas (críticos de vinhos, sommeliers, importadores e compradores), de Portugal e do Brasil.