//Vinho a ‘Património Cultural de Portugal’

Vinho a ‘Património Cultural de Portugal’

AMPV revelou a pretensão numa videoconferência onde vários oradores abordaram os 20 anos da ‘Gastronomia Património Cultural de Portugal’.

O presidente da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), Pedro Ribeiro, anunciou que a associação que lidera vai iniciar contactos junto do governo para que a ‘vinha e o vinho’ venham a ser declarados ‘património cultural de Portugal’, a exemplo do que já acontece com a gastronomia.
A revelação foi proferida pelo autarca do Cartaxo na abertura da videoconferência que decorreu no passado dia 24, no arranque das comemorações dos 20 anos da gastronomia portuguesa como “bem imaterial do património cultural de Portugal”, promovidas pela AMPV, ARVP e cerca de 40 municípios associados. (link no final do texto)

O Diretor Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, José Nuno Lacerda, em representação do Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Regional, Nuno Russo, declarou apoio a esta proposta e, a propósito do tema em discussão, lembrou que a dieta mediterrânica, reconhecida como património pela UNESCO, para além do valor gastronómico e organolético, dá especial relevância a um estilo de vida que é retratado no slogan das comemorações ‘Gastronomia e Vinho, porque ninguém é feliz sozinho’.

Outras intervenções

Ao longo de uma hora e meia, esta videoconferência, com transmissão em direto na rede facebook, contou com várias intervenções representativas do universo da gastronomia e vinhos das quais sublinhamos pequenos excertos:

Vitor Cabrita Neto, ex-secretário de Estado do Turismo e um dos grandes impulsionadores da decisão, em julho de 2000, da decisão do governo então chefiado por António Guterres, recordou a “enorme dificuldade, por parte do Ministério da Cultura, em aceitar a gastronomia como cultura, algo que agora, 20 anos depois, ninguém coloca em causa”.

Virgílio Gomes, único interveniente no processo que integrou os três órgãos da Comissão Nacional de Gastronomia então criada, lembrou que Bernardo Trindade, como Secretário de Estado do Turismo, proferiu em 2005 um discurso no qual afirmava pretender reativar a Comissão nacional de Gastronomia mas esta “foi extinta no ano seguinte, um 2006 que considero ano de luto” disse Virgílio Gomes.

Carlos Madeira, presidente da Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (ACPP) divulgou mais um interessante episódio deste atribulado período: “hoje parece impossível mas a verdade é que, naquela altura, alguém perguntou o que faziam ali os cozinheiros, representados pela ACPP”.

Rui Sanches, vice-presidente da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), considera que a gastronomia é “um gigante adormecido e por isso, pode e deve fazer-se muito mais”. Alertou ainda para a necessidade de “garantir o caráter genuíno da gastronomia portuguesa, nomeadamente encontrando formas de impedir alterações”.

Ana Soeiro, Diretora-Geral da Associação Qualifica/Origin Portugal, sublinhou a importância do aumento dos produtos tradicionais endógenos portugueses e alertou para o aumento de casos como o da apresentação de uma torta de laranja com Nutela como produto tradicional, afirmando que “é preciso impedir isto”.

Rui Ventura, presidente de ‘Pinhel Cidade do Vinho 2020-2021’ aproveitou a ocasião para recordar que devido à pandemia a distinção atribuída pela AMPV se estende a 2021, ano em que as comemorações dos 21 anos da Gastronomia Património Cultural serão realizadas naquela cidade do distrito da Guarda “onde teremos a oportunidade não só de evidenciar a diversidade e qualidade da nossa gastronomia, mas também dos vinhos que a podem valorizar”.

Luís Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Lagoa fez uma curta intervenção para assinalar o facto de aquele município algarvio ter realizado a primeira ação das muitas que ocorreram um pouco por todo o país, através de um almoço onde se juntou a gastronomia e os vinhos daquele concelho.

José Manuel Alves, vice-presidente do Conselho Europeu de Confrarias Enogastronómicas (CEUCO) sublinhou o facto de representar uma associação que integra as duas componentes, lamentou a curta duração da Comissão nacional de Gastronomia e considerou que “é indispensável imprimir maior dinâmica à valorização da enogastronomia”.

Pedro Castro Rego, presidente da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, evidenciou a necessidade e as vantagens de uma aproximação entre as estruturas relacionadas com a gastronomia e as que promovem os vinhos, como é o caso das Confrarias Báquicas. Considerou que “é preciso promover fóruns para se definirem ações conjuntas e esta federação quer fazer parte desse caminho”.

Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas começou por citar o escritor Fialho de Almeida que, no séc. IXX escreveu que a gastronomia “é património de todos. Ninguém o inventou e inventaram-no todos”. Lembrou que em 2000 as confrarias gastronómicas ainda eram um parente pobre da gastronomia e atualmente são promotoras do Dia Nacional da Gastronomia, iniciativa assinalada no último domingo de maio.

João Leite, presidente do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém, lembrou que “o primeiro e mais antigo festival de gastronomia em Portugal está a comemorar 40 anos” e por esse facto “comemorar os 20 anos da gastronomia como património cultural ganha um significado especial para nós que nos orgulhamos de continuar a ser um palco da gastronomia e vinhos a nível nacional”.

António Pombinho, em representação da Minha Terra – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local sublinhou o papel das “cerca de seis dezenas de grupos de ação local que contribuem para o desenvolvimento os respetivos territórios” e sublinhou o apoio destas entidades à produção de produtos locais “essenciais à qualidade e genuinidade das propostas gastronómicas”.

Graça Teixeira, diretora da Escola de Formação Turística dos Açores, em representação da Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores, não podia deixar de evidenciar “a importância da formação na preservação dos produtos e da identidade gastronómica regional e não só”
Esta intervenção contou também com o Chefe Pedro Oliveira que, na qualidade de formador, revelou a ementa que preparou com os seus alunos no âmbito das comemorações.

Pode assistir à gravação AQUI:
https://www.facebook.com/GastronomiaPC/videos/1708547365979382