//‘Vinho dos Mortos’ de Portugal para o Brasil

‘Vinho dos Mortos’ de Portugal para o Brasil

Uma história que envolve a tradição do vinho de Boticas, uma sogra portuguesa e ‘bolinhos’ de bacalhau.

Tradição que ainda se mantém em Boticas, no distrito de Vila Real, é ‘recriada’ na região de São Paulo, em restaurante que recebe cinco a sete mil pessoas ao fim de semana.

O ‘vinho dos mortos’ leva-nos até às invasões francesas, no início do século XIX, quando a população da região de Boticas escondia os bens para não serem pilhados pelos franceses. Aconteceu assim também com o vinho que foi enterrado e que, mais tarde, quando foi desenterrado, estava muito mais saboroso, pois tinha adquirido propriedades novas.
Por ter sido enterrado ficou a designar-se ‘Vinho dos Mortos’ e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, nascendo assim a tradição de enterrar o vinho que atualmente, apesar da pequena produção, conta com uma empresa ‘Adega do Vinho dos Mortos’ que tem loja online.

Vinho dos mortos no Brasil

Na adega e restaurante Quintas do Olivardo, em São Roque (São Paulo), realiza-se mensalmente uma iniciativa que ‘recria’ a história registada em Portugal aquando das invasões napoleónicas.
Quando Olivardo Saqui ficou desempregado, em 2007, apostou tudo numa pequena propriedade para produzir vinho. Apesar de difícil, o desfio foi superado e o produtor decidiu acompanhar a venda do seu vinho com…’bolinhos’ (pastéis) de bacalhau, uma receita da sua sogra portuguesa.
Uma das atrações da Quinta do Olivardo é, precisamente, a noite do ‘vinho dos mortos’ que acontece ao terceiro sábado de cada mês, com os clientes participantes a percorrer a vinha, em percursos iluminados por tochas e velas, até alcançar as covas de onde retiram as garrafas que haviam sido enterradas.
Para tornar a experiência mais portuguesa, a noite é animada por Marly Gonçalves que interpreta clássicos do fado.

Atualmente, o restaurante que recebe cinco mil a sete mil pessoas aos fins de semana apresenta uma vasta oferta de gastronomia portuguesa onde se mantêm os bolinhos de bacalhau e também não faltam os pastéis de nata.