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Vai ‘nascer’ a Confraria do Vinho Medieval de Ourém

Trata-se de um vinho que mantém o método de produção de há 850 anos.

Será no castelo de Ourém que, no próximo dia 30 de junho, irá nascer a Confraria do Vinho Medieval de Ourém com um Capítulo cujo programa prevê a Cerimónia de Entronização dos primeiros confrades com várias individualidades locais e nacionais, decisivas para a instituição da DOP Medieval de Ourém.

Com a criação da Confraria espera-se que “seja reforçada a promoção e defesa deste património histórico que é uma marca única e relevante do concelho de Ourém e que deve ser um dos embaixadores privilegiados deste concelho”, refere a Vitiourém-Associação de Promoção da Vitivinicultura do Concelho de Ourém que foi criada em Setembro do ano 2000, com o objetivo de trabalhar para a promoção e defesa do Vinho Medieval de Ourém.

 

 

Escrevia em 2016 Virgilio Loureiro, do ‘alto’ do prestigio que todos lhe reconhecem:

Este clarete, ou palhete, é uma receita do Mosteiro de Alcobaça, provavelmente com origem no final do século XII. A sua produção era controlada pelos monges, incluindo a medição do volume do mosto branco, para poderem cobrar a lagarádiga e a “tinta” para cobrar a eirádiga. Mas o mais importante era a proporção das uvas brancas e tintas, que permitia fazer um vinho com a cor do sangue de Cristo, bebido na Idade Média em toda a Europa da Cristandade. Por essa razão o atual retinto de Bordéus ainda é chamado “claret” pelos ingleses. Após a extinção das ordens religiosas em 1834 (Alcobaça foi em 1833) entrou em decadência. A sobrevivência do clarete de Ourém deve-se à graduação alcoólica elevada, que raramente o deixa azedar e lhe garante poder de conservação. Há que o salvar da extinção!

 

O Vinho Medieval de Ourém

Trata-se dos antigos palhetes de Ourém, ‘criados’ pela Ordem de Cister do Mosteiro de Alcobaça e, por essa razão, hoje designados por medievais.

São usadas uvas brancas da casta Fernão Pires (80%), que depois de vindimadas são prensadas em lagares e os mostos acondicionados em tonéis de madeira, fermentando em bica aberta’ isto é, sem contacto com as películas.

As uvas tintas, da casta Trincadeira (20%), são desengaçadas e sujeitas a uma fermentação em dornas de madeira.
Quando as fermentações das tintas e das brancas se aproximam do final, o mosto tinto, que representa cerca de 20%, é acrescentado ao mosto branco e as fermentações terminam em conjunto.