//Um vinho, um território
casta loureiro

Um vinho, um território

“Um vinho, um território” e “uma casta, o vale inteiro” são o mote e as mensagens chave do projeto ‘Loureiro do Vale do Lima’, promovido por quatro municípios que se associam na valorização da ‘sua’ casta loureiro, numa estratégia conjunta que visa promover o vinho em articulação com o território.

Os municípios de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo apresentaram no dia 23 de março o projeto ‘Loureiro do Vale do Lima’, que Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), definiu como “um ponto de partida para todo o território”.

“Um vinho, um território” e “uma casta, o vale inteiro” são ideias que Luísa Carvalho, da agência Razão, enunciou ao apresentar o programa de comunicação do projeto, que como a mesma explicou, pretende valorizar a casta, em associação com o rio Lima, a história, a cultura e as gentes, uma vez que a promoção de destinos turísticos associados ao vinho e à vinha, enquanto produtos endógenos de grande relevância para o desenvolvimento e afirmação económica da região, passa também pela associação e identidade de uma determinada casta ao seu território de origem.

casta loureiro

Haverá também eventos, viagens para a imprensa e jantares vínicos.

Esta estratégia conjunta visa o incremento do enoturismo através do desenvolvimento de um conjunto alargado de ações de promoção e marketing do vinho verde centradas especificamente na Casta Loureiro, enquanto produto patrimonial e identitário da região do Vale do Lima.

O objetivo passa por, a partir da casta loureiro, “promover a identidade territorial e o incremento do enoturismo”, explicou Luísa Carvalho. Ainda a propósito da campanha, revelou que “vai ter foco no online, com a criação de um website incluindo produtores, mas também por via de outdoors e da imprensa local.”

Os autarcas dos quatro municípios envolvidos no ‘Loureiro do Vale do Lima’, deixaram clara a ideia de, a partir deste projeto, avançar com a cooperação mais estreita em outros sectores. Paulo Sousa, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, parafraseou Manuel Pinheiro da CVRVV, ao considerar que é um “ponto de partida” para mais trabalhos dos quatro municípios em conjunto. “Estamos a fazer história”, começou por dizer, vincando propósitos de fixação dos mais jovens nos sectores da agricultura e do turismo. O autarca de Arcos de Valdevez, José Manuel Esteves, destacou que o vinho, que “tem melhorado com a qualificação de adegas, engenheiros e enólogos, vai também levar mais gente à restauração”.

Manuel Vitorino, o vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, referiu que o projeto é um “passo de gigante para romper os minifúndios”, apontando a estratégia concertada pelos quatro municípios como um exemplo de uma “quinta geração de políticas municipais, preocupada com a sustentabilidade”. O edil vianense aludiu ao fator humano na produção do néctar que agora se procura promover, com a ideia de que mais do que diferentes variedades de granito presentes nos solos ao longo do vale do Lima, contam “as pessoas, as tradições e os modos de vida”.

 

A Casta Loureiro

A Casta Loureiro é uma variedade muito fértil e produtiva que só recentemente assumiu o papel de casta nobre. Propicia cachos compridos e medianamente compactos, com bagos médios de cor amarelada ou esverdeada. Apropriadamente, a flor de Loureiro é um dos seus principais descritores aromáticos, caracterizando-se ainda pela personalidade floral particularmente cristalina, com ênfase na flor de laranjeira, acácia e tília, sendo as notas de maçã e pêssego relativamente comuns nos vinhos estremes. Por regra consagra vinhos de acidez equilibrada e bem proporcionada. Se hoje é frequente espreitá-la em vinhos estremes, a tradição confere destaque aos lotes com a casta Trajadura ou, mais amiúde, com as castas Arinto (Pedernã) e Alvarinho, como se refere em vinha.pt