//Trouxas de Ovos

Trouxas de Ovos

A receita poderá ter tido origem no Convento de Cós, perto de Alcobaça.

A cidade das Caldas da Rainha possui uma forte tradição na confeção de Trouxas de Ovos, embora não esteja ligada a nenhum convento local, o que habitualmente acontece com este tipo de doces. A receita poderá ter tido origem no Convento de Cós, perto de Alcobaça, cujo Mosteiro era abastecido graças à atividade doceira das freiras daquele instituição, algumas delas oriundas de conventos alentejanos, nos quais a tradição doceira estava, há muito, bem implantada. Ignora-se, no entanto, qual o caminho percorrido até a sua receita ter chegado às Caldas da Rainha. Mas qualquer que ele tenha sido, no século XIX, Gertrudes Fausta, considerada grande conserveira e pasteleira, contribuiu com a sua atividade para a divulgação das Trouxas de Ovos a partir da loja que possuía na vila termal, localizada em frente ao Parque, na antiga rua do Olival, hoje rua Camões, a Casa Fausta, fundada ainda no século XVIII. Com sua irmã, ambas exerceram grande influência nas gerações seguintes de pasteleiros das Caldas da Rainha. Tendo já passado pelas mãos de sucessivos donos a partir de meados do século XX, a Casa Fausta, agora com outra designação, mantém-se no mesmo local, continuando a honrar a herança doceira dos seus fundadores.

Ingredientes
Para as trouxas: 10 gemas; 1 ovo inteiro.
Para a calda:1 kg de açúcar; 3,5 dl de água

Preparação
Prepare a calda, levando ao lume o açúcar com a água e deixe ferver durante 30 segundos. Deite a calda numa caçarola de fundo côncavo e coloque-a sobre um lume pequeno e fino, de modo a só ferver ligeiramente no meio. Passe as gemas com o ovo por um passador de rede três vezes, sem pressionar e sem bater. Deite na calda 0,5 dl das gemas e dei¬xe-as alastrar. Com uma colher vá espalhando com muito cuidado para que elas formem um círculo, o mais fino possível, mas sem rasgar. Deixe solidificar e, depois, num golpe rápido mas cuidadoso, com o auxílio de uma escumadeira, vire a folhinha das gemas completamente, sempre com o cuidado de não a rasgar. Espere que acabe de cozer, retire-a da caçarola, sempre com o auxílio da escumadeira, e coloque-a num prato inclinado para escorrer. Repita a operação até usar todas as gemas. A feitura das trouxas exige muita paciência e tempo. À medida que for fazendo as folhas, disponha-as sucessiva¬mente umas sobre as outras. Enrole-as depois, com a parte brilhante virada para baixo, formando as trouxas, com feitio de tronco de cone. Coloque-as num prato de serviço e, no fim, regue-as com a calda restante, passada por um passador.

Uma boa sugestão para acompanhar é um vinho generoso de Carcavelos. Mas há um número cada vez maior de pessoas que preferem espumantes para ‘suavizar’ a doçura. E porque não, uma aguardente velha para ‘combater’ este potente representante da doçaria conventual?

IN: ‘OS Sabores da Nossa Terra’ – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste (LeaderOeste)