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Teimosia dos produtores ‘salva’ setor agropecuário

O aumento dos custos de produção foi o tema-chave nas conversas dos produtores do setor agropecuário presentes na Ovibeja, que dizem que só por ‘teimosia’ não desistem do setor.

“Há dois anos, a carne de borrego estava nas grandes superfícies a seis euros por quilo e, hoje, está a custar sete ou oito. Mas um quilo de ração custava 320 euros e agora custa 520 a 550 euros”, afirmou Nuno Carvalho, criador de ovelhas merino em Santa Serra, Ourique.

“E não se podem refletir estes aumentos no preço do produto, porque o consumidor não tem poder de compra”, disse.

No caso do gado bovino, a situação não é mais favorável. “Viemos de uma situação de pandemia, que já foi uma disrupção enorme, mas à qual reagimos de maneira muito positiva, e agora este segundo embate, relacionado com a guerra”, afirmou Clara Moura Guedes, administradora do Monte do Pasto, um dos maiores produtores de bovinos na Península Ibérica, com cerca de 30 mil animais por ano, em Cuba e Alvito.

A administradora do Monte do Pasto frisou que a empresa sofreu aumentos “na ordem dos 30%”.

Os custos associados à criação suína também têm aumentado, e, segundo José Cravinho, criador de porcos de raça alentejana em Vale da Açor de Baixo, Mértola, esta subida, já é anterior ao conflito Rússia- Ucrânia, mas que com este se agravou.

O produtor gastava entre 70 a 80 cêntimos por dia com cada animal, hoje, gasta um euro. Este é o custo diário associado a cada suíno na criação de José Cravinho durante os 18 meses que leva a ´tratar de cada animal’, a sua vara é composta por cerca de 200 porcos e 40 porcas.

“Criar hoje um porco alentejano é uma teimosia”, afirma José Cravinho.

Os problemas associados à pecuária começam na seca, com a qual, os produtores se têm vindo a debater. Aliando-a à subida dos custos de produção, torna-se difícil que consigam subsistir nas condições atuais. No entanto, não se trata apenas dos custos da matéria-prima, são também os gastos associados aos transportes, à exportação ou à energia.

A preocupação e descontentamento com estes aumentos é comum aos agricultores que marcaram presença na edição deste ano da feira Ovibeja.

Apesar das dificuldades que têm enfrentado, os produtores têm-se mostrado resilientes e não pretendem desistir.

“Eu ainda vou continuar a ser teimoso mais uns anos, mas vou reduzir o meu efetivo animal. Se é para perder dinheiro, que se perca o menos possível”. Sublinha Nuno Carvalho.