//Sopa de Coelho

Sopa de Coelho

A abundância de erva em toda a região foi sempre um pretexto para a criação de coelhos no quintal

O concelho do Cartaxo, situado na margem direita do rio Tejo, é uma região de contrastes, de grande desenvolvimento urbano provocado pela sua localização próxima da capital, mas que convive lado a lado com um mundo rural que teima em preservar as suas tradições. A sua paisagem, fora dos maiores aglomerados urbanos, onde a indústria assentou arraiais, é um variado mosaico de terras de semeadura alternando com os vinhedos que dão origem aos vinhos do Cartaxo. A mancha de verde que os olhos alcançam faz adivinhar a fertilidade do solo. Os seus habitantes, mesmo com outras atividades, mantêm uma forte ligação com a agricultura e não desprezam os costumes ancestrais. A abundância de erva em toda a região foi sempre um pretexto para a criação de coelhos no quintal, ao pé da porta, destinados ao consumo próprio, o que levou, naturalmente, ao aparecimento de muitas receitas com base neste pequeno herbívoro que continuam a fazer parte dos pratos característicos deste concelho.

Ingredientes
1 coelho; 1 cebola média; 1 couve lombarda; 6 batatas médias; 500 g de feijão branco cozido; 3 colheres de sobremesa de calda de tomate; 1 pimento vermelho; 0,5 l de vinho branco; 0,5 l de vinho tinto; 2 dl de azeite; 1 colher de sopa de manteiga; 1 colher de so¬bremesa de piri-piri ou a gosto; 1 pão de trigo; 1 ramo de coentros; sal q.b.

Preparação
Refoga-se o coelho partido aos bocados com os temperos, a cebola picada, a calda de tomate, os vinhos branco e tinto, o pimento às tiras, o azeite e a manteiga. Quando estiver tudo refogado, acrescen¬ta-se meio litro de água, de seguida a couve cortada miudinha, as batatas aos cubos miúdos e, por último, o feijão branco. Na altura de servir, cortam-se as fatias do pão de trigo, espalham-se os coentros picados e coloca-se por cima a sopa.

Harmonização
A carne de coelho merece ser apreciada com vinhos tintos elaborados, finos e elegantes, de preferência de safras mais antigas e com estágio em madeira. Escolha um vinho da Região Tejo com aroma elegan¬te e corpo macio, que se enquadre bem com o sabor único desta carne.

Cartaxo
O ‘Pátio das Cantigas’, uma das mais célebres comédias portuguesas, vive da riqueza dos diálogos carregados de duplo sentido. Num deles, Evaristo, papel desempenhado por António Silva, informa que as dessincronizações do seu fígado obrigam-no a ir a águas para o Cartaxo. O ébrio Narciso, encarnado por um brilhante Vasco Santana, responde “Águas do Cartaxo para o fígado? Hum. Compreendi-te”. No ano em que o filme estreou, em 1941, esta graça era imediatamente compreendida pela plateia, já que, para o público em geral, Cartaxo era sinónimo de vinho. Desde os finais do Século XIX que esta região se tornou num importantíssimo centro vinícola. Em meados do século passado, saíam daqui milhões de litros de vinho para o ultramar. Atualmente, a quan¬tidade deu lugar à qualidade. Em 2002, o Cartaxo adotou a designação de «Capital do Vinho», com o objetivo de preservar a forte ligação do concelho à produção vitivinícola. Este município é um dos fundadores e principal impulsionador da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, que, desde a sua fundação, aqui tem a sua sede.

IN: ‘Os Sabores da Nossa Terra’ – Associação para a Promoção e Desenvolvimento Rural do Ribatejo (APRODER)