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Requentado

Tradicional da Golegã, há quem afirme que é a segunda fervura que faz toda a diferença.

O Requentado é um prato muito popular na Golegã e em muitos outros concelhos do Ribatejo, sendo mais um exemplo da ancestral economia doméstica, com o aproveitamento e a valorização das sobras, usando produtos da região. Depois do consumo da sopa, para não repetir o mesmo prato na refeição seguinte, usava-se a criatividade, acrescentando o alho e o pão de milho.
Mas há quem afirme que é a segunda fervura que faz toda a diferença.
Quem podia, acompanhava o Requentado com bacalhau assado, durante muito tempo conhecido como o fiel amigo, ou com sardinhas fritas ou assadas.

Ingredientes
Para a sopa, que deve ser em quantidade suficiente para duas refeições: 300 g de feijão branco; 1 cebola; 1,5 dl de azeite; 2 couve portuguesa; 3 dentes de alho; 0,5 kg de pão de milho; sal q.b..
Para o requentado: Restos da sopa de feijão branco; 3 dl de azeite; 6 dentes de alho; pão de milho.

Preparação
Sopa: Depois do feijão demolhado durante dez a doze horas, coze-se em água abundante com a cebola e um pouco de azeite. Quando o feijão estiver cozido, junta-se a couve cortada em caldo-verde grosso. Tempera-se com sal. Serve-se a sopa à noite, ao jantar, e cada um junta-lhe pão de milho esfarelado e rega-se com um fio de azeite.
Requentado: No dia seguinte, leva-se o resto da sopa ao lume, a ferver. Junta-se-lhe o azeite, os dentes de alho descascados e inteiros e pão de milho em quantidade suficiente para enxugar o caldo e se obter um preparado com aspeto de uma açorda.
Depois de se adicionar o pão, deixa-se o requentado ferver, mexendo sempre para evitar que se pegue ao fundo do tacho. Nesta altura e enquanto se mexe, se for necessário, junta-se mais azeite. Acompanha-se com bacalhau assado, carapaus ou sardinhas fritas.

Harmonização (proposta da CVR Tejo)
O vinho a escolher para harmonizar com o requentado deverá ser um tinto jovem da Região do
Tejo, sem estágio em madeira. Um vinho de lote em que predomine o Castelão ou a Trincadeira.

Golegã
É assim todos os anos: as ruas enchem-se de gente, de amazonas de jaquetas bordadas, de cavaleiros com mazzantinis à banda, o ar satura-se com o aroma das castanhas assadas e, nas casetas que se erguem no Largo do Arneiro, criadores e convida¬dos brindam com água-pé à beleza e à aptidão do Lusitano. Estamos em Novembro, por alturas do São Martinho, na Feira Nacional do Cavalo. Aqui celebra–se a atividade equestre em geral e o Puro-sangue Lusitano, o mais antigo cavalo de sela do mundo, em particular, numa tradição que remonta ao século XVIII, ao tempo do Marquês de Pombal. Já nessa altura, esta feira, na Golegã, era um importante pólo de atração para os melhores criadores de cavalos. No século XIX, instalaram-se nas cercanias da vila grandes lavradores que ajudaram a desenvolver o potencial agrário do território. Alguns deles, tal como Carlos Relvas, Ruy d’Andrade na quinta da Cardiga, e Rafael José da Cunha, na Quinta da Broa, entraram para a história pelo seu importante legado. Herdeiro de Rafael José da Cunha, Manuel Tavares Veiga dedicou-se com rigor e minúcia ao apuramento da raça portuguesa e juntamente com Ruy d’Andrade e com o filho deste, Fernando Sommer d’Andrade, desenvolveram as duas correntes de sangue mais importantes dos Lusitanos: a Andrade e a Veiga. Assim, não é de estranhar que, pela sua história e cultura, a Golegã tenha ganho o estatuto de “Capital do Cavalo”. Mas se a tradição e os desportos eques¬tres dominam o concelho, os campos da Golegã, pontilhados de milharais, searas e olivedos, também não são esquecidos. Estas são terras fecundas que anualmente se transformam em alimento.

Texto e fotos: Livro ‘Os Sabores de nossa Terra’ – Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana.