//Refeições vegetarianas nas escolas preocupam bastonária

Refeições vegetarianas nas escolas preocupam bastonária

Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, por não estar referido na lei que “devem ser os nutricionistas a elaborar a ementa”

A partir do próximo ano letivo os alunos podem optar por refeições vegetarianas nas escolas, desde que as informem atempadamente .

A lei, que contou com uma petição de mais de 15 mil pessoas, foi recentemente aprovada a partir de um projeto de lei do partido PAN – Pessoas-Animais-Natureza, a que se juntaram o Bloco de Esquerda e Os Verdes, e determina que todos os menus de cantinas e refeitórios do Estado passem a ter, pelo menos, uma opção que não contenha quaisquer produtos de origem animal.

A aprovação, com os votos a favor de PS, PCP, BE, PEV e PAN e com as abstenções do PSD e CDS, mereceu já um alerta por parte da bastonária da Ordem dos Nutricionistas. Alexandra Bento disse tratar-se de uma medida para aplaudir “desde que se providencie um adequado equilíbrio nutricional” ou seja, há preocupação pelo facto de “não estar referido na lei que devem ser os nutricionistas a elaborar a ementa vegetariana das cantinas e refeitórios públicos”.

A nutricionista espera que “os organismos tenham a noção de que os técnicos responsáveis são os nutricionistas” e que “a autoridade competente para a fiscalização o faça”.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, considera, no entanto, que esse não será um problema, já que “a maior parte das empresas que fornece refeições na restauração coletiva tem técnicos de várias áreas, nomeadamente nutricionistas”.

Pedro Graça acrescentou que o que mais o preocupa “é que os pais e as famílias que optam por aderir a modelos de alimentação vegetariana percebam que devem ter a orientação de um profissional de saúde, médico ou nutricionista”,

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) elaborou anteriormente um conjunto de orientações técnicas para a produção e implementação de refeições vegetarianas, que, segundo Pedro Graça, será uma referência para profissionais de saúde e educação.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, afirmou que se trata de uma boa medida, mas a procura deve ser “muito residual”, pelo menos no início, uma vez que não é comum haver pedidos para alimentação vegetariana nas escolas. “No agrupamento que dirijo (Vila Nova de Gaia), com mais de 2000 alunos, nunca tive nenhum pedido”, afirmou, adiantando que a cozinheira está a receber formação, já que as refeições são confecionadas na escola.

Foto capa: blog da mamãe sustentável