//Recordar ‘Chefe Silva’ (Biografia)

Recordar ‘Chefe Silva’ (Biografia)

As várias fases da vida do mais popular cozinheiro de Portugal, ‘contadas’ ao longo de 25 semanas.

No dia 14 de outubro de 2020 completam-se cinco anos da morte do Chefe Silva. Desde o seu desaparecimento físico que o Jornal dos Sabores, anualmente, assinala a data. Este ano o Chefe Silva será recordado com a publicação, durante 25 semanas, da biografia ‘Chefe Silva o Senhor Tele Culinária’, editada em livro em 2008.

A publicação dos textos decorrerá entre o 14 de outubro (dia do falecimento) e 29 de março de 2021, data (real) do nascimento, embora o dia ‘oficial’ seja 5 de abril de 1934, em que o biografado foi registado.

O texto conta as fases da vida do Chefe, até aos 74 anos – viria a falecer 7 anos depois – com capítulos como ‘Os tempos de Caldelas’, desde o nascimento e onde as más condições de vida o levaram a ingressar no ‘Seminário de Santarém’ de onde fugiu para Lisboa. O serviço militar, o trabalho em Moçambique, o regresso ao Norte, a Televisão, a Rádio e a Teleculinária são outras fases importantes da vida de António da Silva.
Muitas dos ‘episódios’ contados resultam dos depoimentos de muitos amigos como por exemplo colaboradores da RTP como Sónia Araújo, José Carlos Malato, Júlio Isidro, Margarida Mercês de Melo, elementos da produção da RTP Porto e até, a senhora que na altura desempenhava funções de empregada de limpeza.
Mas também representantes de Confrarias Gastronómicas e outros organismos.

Eis o texto de introdução escrito pelo autor:

 

Quando a partir de 2000 decidi dedicar-me à gastronomia como área jornalística preferencial, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Chefe Silva. Cheguei a entrevistá-lo para o programa Iniciativa que então co-apresentava na RTP2.
A popularidade da rubrica de gastronomia naquele programa aproximou-me das confrarias gastronómicas e, através destas, ainda mais do Chefe com quem fui estabelecendo amizade.
Quando em 2005 avancei com o programa ‘Sabores’, no mesmo canal, foi a ele que recorri para me preparar para esse novo desafio.
Ao integrar júris de concursos de gastronomia e outros eventos com a presença do Chefe Silva, passei a perceber mais profundamente que estava ali, junto de mim, a oportunidade que procurava de iniciar uma nova fase da minha vida profissional.
E ele, mais uma vez generosamente como fez toda a vida, abriu-me a porta.

Estávamos em Porto Covo (Sines), integrados no júri do concurso de gastronomia promovido pela extinta Região de Turismo da Costa Azul, em mais uma das refeições que nos levaram aos 13 municípios que a integravam.
De repente, disse-lhe: “Chefe, gostava de escrever um livro a contar a sua vida”.
Naturalmente surpreso pela proposta, feita de rompante e até a despropósito da análise ao excelente polvo que nos serviram, olhou para mim e respondeu: “Se achas que isso pode ter interesse, ficava feliz que fosses tu a fazê-lo”.
Não esperava uma resposta tão direta. Andei mais de uma semana a pensar no assunto e ele, em segundos, colocou o projeto em marcha.

Poderia ter aproveitado para ‘acertar contas’, mas sempre que no entusiasmo da conversa iniciava um relato em que denunciava atitudes menos corretas que alguém havia tido para com ele, parava a conversa, mudava de assunto e dizia: “É melhor passar por cima disso porque agora também já não adianta nada”.
Por outro lado, estou convicto que não foi por acaso ou delicadeza por parte dos entrevistados que não ouvi, uma única vez, palavras de azedume ou mágoa em relação a ele. Escutei, isso sim, depoimentos com tanta emoção e carinho que me comoveram.
Muitas horas de gravação com ele e com dezenas de pessoas contactadas, reforçaram a ideia de que é, sem qualquer dúvida, um homem bom.

Guarda(va) na carteira, há já muitos anos, um pedaço de papel com a seguinte frase de Robert de Montesquieu: Devemos perdoar aos que dizem mal de nós, mas nunca aos que no-lo vêm dizer.

Encontrarão os leitores nas páginas que seguem, o relato de uma vida intensa que procurei ‘contar’ através de uma escrita simples e acessível a qualquer uma das muitas pessoas que, da grande cidade ao mais pequeno lugarejo, ainda hoje admiram o Chefe Silva.
Permitam-me que chame a vossa atenção para os depoimentos pois em muitos deles encontrarão deliciosos episódios, pequenas histórias e até revelações que ajudam a entender melhor o percurso do Homem e do Chefe.

Que o façam com ‘apetite’ e, como diz o povo, que vos “faça bom proveito”.

Amílcar Malhó

Chefe Silva – Biografia tem o patrocínio de:

Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa (Vinhos de Lisboa)

Do valor dos patrocínios 25% é atribuído à área de Formação da ACPP – Associação de Cozinheiro Profissionais de Portugal, de que o Chefe Silva foi um dos fundadores.

(Publicada em livro em 2008, a biografia ‘Chefe Silva o Senhor Teleculinária’ poderá apresentar alguns factos desatualizados.)