//‘Rainhas’ que não são misses

‘Rainhas’ que não são misses

Iniciativa da AMPV já em nada se identifica com os concursos de beleza ou de eleição de ‘misses’.

Em 2008 a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), motivada pela popularidade da eleição da ‘Rainha das Vindimas’ que desde 1963 acontece no âmbito das ‘Festa das Vindimas’ em Palmela e tendo em conta que outros municípios promoviam eventos semelhantes, avançou com uma iniciativa que juntou as eleitas de oito autarquias suas associadas, para uma ‘eleição’ nacional.

As primeiras edições da ‘Rainha das Vindimas de Portugal’ seguiram um modelo ‘inspirado’ nos  concursos de beleza feminina mas a organização percebeu que era preciso aproveitar esta oportunidade para chamar a atenção da juventude para importância da ‘cultura rural’ dos seus territórios. Aproveitar a tradição das ‘rainhas’ que simbolizavam a vinha, a uva e a ruralidade apresentou-se como uma proposta interessante, embora com necessidade de adaptação aos tempos atuais, nomeadamente quanto à valorização do papel da mulher na sociedade.

E foi assim que, afastando-se gradualmente daquele tipo de certames, esta iniciativa promovida pela AMPV ganhou um ‘estatuto’ próprio que a torna, atualmente, uma jornada nacional de convívio e troca de conhecimentos das jovens mulheres que nela participam com um objetivo de caráter competitivo, cujos critérios de ‘avaliação’ vão muito para além da beleza.

Na edição deste ano será promovida uma ‘mesa de partilha’ com as jovens a colocar na mesa algumas iguarias (sólidas e líquidas) mais representativas da sua região, partilhando não apenas o que se degusta, mas também informação sobre o ‘repasto’ que acontecerá na tarde do primeiro dia dos ensaios.

 

A competição

As participantes têm oportunidade (necessidade) de, com vista à sua prestação, conhecerem um pouco da história e da cultura rural do município que representam e acabam por conhecer igualmente um pouco do concelho que recebe o evento, este ano com Pinhel como anfitrião.

No âmbito da competição em que serão eleitas a Rainha e duas Damas de Honor, participam num workshop onde serão abordadas questões relacionadas com o formato deste concurso e com o tema ‘Enoturismo’.

Por outro lado, um júri que integra pessoas ligadas ao vinho, turismo, etnografia, comunicação e moda, avalia numa entrevista individual os conhecimentos de cada jovem sobre o território vinhateiro que representa, numa prova que pode valer um terço da votação total.

Participam também em dois desfiles, o primeiro dos quais coloca em evidência a tradição através da apresentação de um traje regional e fazem – de viva voz – um convite ao público para que visite o seu território para além de elaborarem um texto que transmite a sua visão ‘daquele’ mundo rural específico.

E sim, claro que também conta para a votação final a simpatia, o sorriso, a elegância, o vestido apresentado no segundo desfile e a beleza da candidata.

Há que destacar o trabalho que vem sendo realizado por um significativo número de Câmaras Municipais com vista à preparação das candidatas e que são a razão principal dos resultados que levam a uma constante renovação do modelo de concurso.

 

 

Amilcar Malhó

Fotos: Jovens participantes em várias edições.