//Queijadinhas de Azambuja

Queijadinhas de Azambuja

Em atenção à Rainha D. Amélia, vinham, talvez do Mosteiro de Almoster, umas deliciosas queijadinhas de que ela muito apreciava.

Na foz da Vala Real, próximo de Azambuja, encontram-se as ruínas de um edifício imponente, conhecido pelo nome de Palácio das Obras Novas, construído em estilo neoclássico, no tempo da Rainha D. Maria I. A sua localização privilegiada na zona da Lezíria, de onde se avistam grandes extensões de terra de cultivo e pasto de touros de lide, assim como a natureza envolvente, com uma vegetação densa e exuberante, atraía, nos finais do século XIX, destacadas figuras da nobreza que ali vinham descansar. Diz a tradição que o próprio Rei D. Carlos, acompanhado pela família real, costumava passar temporadas no Palácio das Obras Novas para se dedicar à caça na companhia do Infante D. Luís Filipe. Em atenção à Rainha D. Amélia, vinham, talvez do Mosteiro de Almoster, umas deliciosas queijadinhas que ela muito apreciava. Mas quando a brucelose atingiu os rebanhos de cabras e de ovelhas, o queijo para fazer os bolos começou a rarear. Foi então que se inventou uma outra receita para fazer uns bolinhos que, sem o queijo mas com o mesmo aspeto, continuassem a ser dignos de aparecer à mesa real. Por isso, lhes chamaram, na altura, “queijadinhas mentirosas”.
O fundador da Pastelaria Favorita, no centro da vila, recuperou, há mais de trinta anos, essa receita esquecida, que veio a dar fama ao estabelecimento. O atual proprietário, Fernando Serra, faz questão de manter a qualidade desses bolinhos, que continuam a ser motivo de atração tanto dos naturais como dos visitantes de Azambuja.

Ingredientes
Massa: 1 kg de farinha; 800 g de margarina.
Recheio: 1 kg de açúcar; 0,5 l de água, raspa de 1 limão, 3 paus de canela, 30 gemas de ovos

Preparação
Põem-se a ferver água, o açúcar, a raspa do limão e os três paus de canela. Quando estiverem a ferver bem, deita-se esta mistura por cima das 30 gemas e deixa-se descansar 5 ou 6 horas. Amassa-se a farinha com a água e deixa-se repousar durante 15 minutos. Com um rolo, estende-se a massa até ficar com 1,5 cm de espessura. Com uma espátula, espa¬lha-se a mistura da margarina com a banha sobre a massa estivada, como quem barra pão. Dobra-se em 3 partes, volta-se a estivar com o rolo e barra-se novamente com a gordura; dobra-se outra vez em 3 partes, estica-se, volta-se a barrar e enrola-se para formar um rolo. Deixa-se descansar durante cerca de 20 minutos. Estica-se o rolo até ficar com 2 cm de diâmetro. Cortam-se pequenos pedaços com 1,5 cm de comprimento, e colocam-se os pedaços em for-mas tipo pastel de nata. Estica-se esta massa com os dedos molhados de modo a que fique a forma toda coberta. Levam-se ao fogo, em banho-maria, as gemas batidas com o açúcar e as natas até o prepa¬rado engrossar. Deixa-se arrefecer um pouco antes de deitar nas formas, que se enchem com o prepa¬rado. Por cima, deita-se em cada uma um pouco de amêndoa moída com pele e polvilha-se com açúcar em pó. Leva-se a cozer em forno aquecido a 200º C, até formar uma crosta.

Azambuja
Nas voltas da História, Azambuja começou por ser um lugar habitado por romanos que, em 711 da nossa era, foi tomado pelos sarracenos, a quem deve o topónimo que significa “oliveira brava”. Os cristãos acabaram por prevalecer quando D. Afonso Henriques, com os seus ímpetos conquistadores, subjugou os mouros da região em 1147. Desses tem¬pos remotos da reconquista até hoje, Azambuja foi prosperando. O concelho, predominantemente rural, mantém com o rio, que lhe impõe a fronteira a Sul, uma estreita relação. Várias comunidades piscatórias fixaram-se nas margens do Tejo. Algumas, vindas da costa Atlântica nos finais do Século XIX, construíram as curiosas casas palafitas que atualmente ainda se podem encontrar, aqui e ali, ao longo do curso do rio. Esta profunda ligação com a terra e com o Tejo re¬flete-se na gastronomia tradicional, onde é visível a criatividade das suas gentes no aproveitamento dos recursos disponíveis. É daqui o queijo de Maçussa, o único chèvre produzido em Portugal de forma artesa¬nal, que conquista espaço, nomeadamente, entre os chamados produtos ‘gourmet’.