//Prova de vinho que esteve no espaço

Prova de vinho que esteve no espaço

Enólogos provaram vinho após um ano na Estação Espacial. Regressaram também 320 videiras.

Em novembro de 2019 foram lançadas para o espaço 12 garrafas de vinho de Bordéus e 320 videiras das castas Merlot e Cabernet Sauvignon, que ficaram na Estação Espacial Internacional (EEI) até janeiro deste ano de 20121.
Como previsto, as garrafas e as plantas depois de regressarem à Terra foram transportadas para França, para serem analisadas por uma equipa do Instituto de Ciências da Vinha e do Vinho da Universidade de Bordéus.
De acordo com as informações reveladas recentemente em conferência de imprensa, um grupo de 12 enólogos e críticos foram convidados a fazer uma prova cega com uma garrafa que veio da Estação Espacial e outra ‘normal’, verificando-se que onze dos jurados detetaram diferenças entre os vinhos em análise.

Uma crítica de vinhos participante na prova disse que uma das diferenças que encontrou foi “um acentuar das características florais”, acrescentando ser da opinião que, para alcançar as características detetadas o vinho deveria ter envelhecido mais alguns anos.
Face aos resultados para já conseguidos, os investigadores levantam a hipótese de que o stress sentido no Espaço, promovido pela microgravidade, possa ter acelerado o processo natural de envelhecimento que ocorre nas garrafas de vinho.

 


Quanto aos 320 fragmentos de videira, todos sobreviveram à estadia no Espaço e alguns já foram replantados, verificando-se que “estão a desenvolver-se muito mais rápidamente do que as videiras normais”, revelou o diretor de Ciência da Space Cargo Unlimited, responsável pelo projeto de agricultura sustentável. Segundo o mesmo responsável, a presença no espaço “levou as videiras a desenvolverem uma resiliência que está a contribuir para o seu rápido crescimento na Terra”.

O CEO da empresa responsável pelo projeto, Nicolas Gaume, declarou na ocasião do envio das plantas para o espaço, que os investigadores queriam perceber como as videiras se adaptariam à condições de stress, porque a ausência de gravidade, explicou, é “o derradeiro stress”. O objetivo é compreender como a viticultura, e a agricultura em geral, poderão ou não adaptar-se a fatores de stress associados às alterações climáticas.