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Produtores de arroz são pouco valorizados

Portugal é o terceiro maior produtor de arroz da UE, mas os valores pagos aos produtores são baixos e verifica-se, cada vez mais, o abandono do setor da orizicultura.

O ‘Arroz Carolino do Baixo Mondego’ tem vindo a ser valorizado pela importância histórico-cultural que tem nesta região. Foi reconhecido em 2015 como um produto IGP – Indicação Geográfica Protegida e foi recentemente criada a marca  ‘Arroz Carolino do Baixo Mondego’.

Apesar de se assistir à consolidação deste arroz enquanto produto identitário, os orizicultores desta região, ‘sofrem’ com os valores baixos que recebem pela produção de arroz.

Os orizicultores afirmam que só com o emparcelamento dos terrenos o setor poderá ser valorizado, e que o estado devia utilizar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para realizar os investimentos necessários. O emparcelamento, que tem sido a sua ‘luta’ , tem-lhes sido prometido desde os anos 60 e nunca chegou a ser concretizado.

Se fosse realizado, permitiria regular os níveis de água nos arrozais, melhorar a fertilização, atualizar a tecnologia e as ferramentas disponíveis. O que poderia resultar numa melhor e mais eficaz produção.

Desde a última sementeira, o preço do adubo aumentou cerca de dez euros por saco. “Para cada hectare, são necessários cerca de 500 quilos de adubo e cada saco tem 25 quilos. É fazer as contas’, diz o orzicultor José Pereira.

A instabilidade climática, o aumento dos preços dos combustíveis e do adubo são problemas que os produtores têm de enfrentar diariamente, mas acreditam que se as obras fossem realizadas poderiam ser amenizados.

Em Portugal, produzem-se 160 mil toneladas de arroz por ano, sendo por isso, o terceiro maior produtor da UE e cada português consome 15 quilos por ano, o maior consumo europeu per capita.

Estes números revelam a importância do setor da orizicultura para a economia, assim como o seu impacto sociocultural e podem justificar a realização destas obras.

‘Cada quilo ao consumidor custa o preço de dois cafés (cerca de 1,5 euros). Ora, um quilo de arroz dá para 12 refeições a 15 cêntimos cada uma. Ao agricultor, pagam o quilo a menos de 40 cêntimos’, refere José Pereira.

A orizicultura desempenha um papel preponderante a vários níveis no país, no entanto, os responsáveis pela sua produção, não são devidamente valorizados e isso reflete-se no abandono do setor. De maneira a contribuir para o retrocesso desta tendência, cabe aos consumidores valorizar o arroz produzido e às entidades competentes prestarem os apoios necessários.