//Preço do pescado e do marisco ‘dispara’
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Preço do pescado e do marisco ‘dispara’

A qualidade do pescado e marisco português há muito que é reconhecida pelos portugueses, mas a ‘fama’ que tem vindo a obter a nível internacional tem contribuído para que os preços ‘disparem’.

Os proprietários de restaurantes queixam-se do aumento dos preços: ‘Há um ano, comprava na praça de Quarteira os carabineiros a 80 euros, agora estão a 120. Tudo porque a procura de outros países e cidades, nomeadamente o Dubai e Nova Iorque, não se importam de dar 180 euros por quilo. Acordaram tarde para a riqueza do mar português, mas acordaram…’ explica Bernardo Reino, Gigi, proprietário de um dos restaurantes de praia mais emblemáticos do país.

Peixes como os salmonetes da Quarteira, o pregado, os linguados têm sido procurados por diferentes restaurantes em Nova Iorque. Já o atum dos Açores, produto de excelência, é cobiçado no Japão pela sua qualidade

‘Estamos a pagar o preço da fama e da promoção que tem sido feita por clientes estrangeiros que ficam fascinados com a qualidade do pescado português’ conta João Lourenço, proprietário do restaurante Paixa.

Quer sejam os restaurantes novaiorquinos, do Dubai ou do Japão, eles não se importam de pagar três vezes mais do que nós podemos pagar e isso é que vai encarecer muito a riqueza dos produtos pescados em águas nacionais’.

Até a ´vizinha’ Espanha tem sido um grande comprador do que se pesca em águas portuguesas.

Esta procura aliada à aproximação do verão faz com que os preços do pescado e marisco aumente substancialmente.

Este aumento dificulta a compra do pescado e do marisco aos restaurantes portugueses que não têm capacidade de competir com os preços que os restaurantes estrangeiros estão dispostos a pagar, obrigando-os a optar por soluções mais baratas o que pode significar um decréscimo na qualidade. ‘Venderei 200 sapateiras por dia, mas não consigo encontrá-las grandes nem cheias. As que têm aparecido são pequenas e algumas estão vazias. E a um preço que não se compara com os dos outros anos. Estão muito mais caras’, conta o dono de uma cervejaria em Lisboa.

Esta realidade pode ser verificada pelo peso que o pescado tem enquanto produto agroalimentar mais exportado em Portugal, seguido do vinho e do azeite.

Se por um lado é imprescindível que este crescimento continue a aumentar para gerar mais riqueza e mais postos de trabalho, por outro a realidade atual dificulta o acesso que os portugueses têm aos produtos pescados no seu próprio país.