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Portugal tem boa reputação ecológica?

Estudo sobre hábitos sustentáveis estabelece índice de comportamento sustentável dos consumidores para medir a sua ‘reputação ecológica’. Portugal posicionou-se a meio da tabela, com um índice global de 50, numa escala de 0 a 100.

A Deco Protest desenvolveu um estudo com outros 13 países, para estabelecer um índice de comportamento sustentável dos consumidores e perceber até que ponto os portugueses têm um dia-a-dia sustentável.

Em conjunto com as associações de consumidores de outros 13 países, a Deco Protest juntou um painel de especialistas para estabelecer que peso teriam certos comportamentos em cinco áreas cruciais para a sustentabilidade: alimentação, viagens e mobilidade, água e energia para uso doméstico, compra de produtos não-alimentares e serviços e, ainda, gestão de resíduos. 

Com base nas respostas dos consumidores e na importância atribuída pelos especialistas, construiu-se um índice de comportamento sustentável. Portugal posicionou-se a meio da tabela, com um índice global de 50, numa escala de 0 a 100, pontuação que ficou relativamente próxima do total de 57 obtido pela Áustria, que conseguiu os resultados mais elevados. Também acima da média ficaram a França, a Eslovénia, a Alemanha e Espanha. Rússia, Dinamarca, República Checa e Canadá foram os piores classificados. 

Portugal está acima da média em viagens e mobilidade, e na área da água e energia. Nos restantes três critérios e no índice geral, encontra-se na média. Em termos globais, 71% dos inquiridos consideram ter hábitos de poupança de energia em casa. Já 61% preferem produtos (não-alimentares) que sejam de melhor qualidade, durem mais tempo e possam ser reparados. Por sua vez, 26% afirmam reutilizar produtos pelo maior tempo possível e 25% dizem que tentam reduzir ou evitar o desperdício de alimentos. Quanto à questão das viagens e da mobilidade, 15% afirmam fazer, no dia-a-dia, apenas deslocações a pé, de bicicleta ou de transportes públicos. Este item é, aliás, aquele a que os portugueses atribuem menos importância no conjunto: apenas 22% dos que responderam ao inquérito consideram muito importante para um comportamento sustentável não ter um carro. 

Para os especialistas da Deco Protest, era o segundo critério mais importante e raramente houve encontro, aliás, entre as perceções dos consumidores e as dos especialistas em relação a cada uma das áreas. A única exceção foi a questão da compra de produtos não-alimentares e serviços. Água e energia para uso doméstico é a área a que os portugueses atribuem mais importância, seguidas pela gestão de resíduos e alimentação. Mais de metade dos inquiridos consideram-se bem informados sobre as questões da sustentabilidade, enquanto 35% afirmam estar razoavelmente informados. 

Poucos são os que se afirmam vegans ou vegetarianos (não ultrapassam os 3% dos inquiridos), enquanto apenas 27% afirmam consumir carne e produtos de origem animal sem se preocuparem em reduzir esse consumo. Ainda no capítulo da alimentação, 25% dizem tentar reduzir quase totalmente o desperdício alimentar. 

A consciência ecológica entre os consumidores nacionais na área da mobilidade traduz-se em 33% de participantes no inquérito que afirmam evitar fazer viagens de avião. As deslocações a pé, em bicicleta ou através de transportes públicos são privilegiadas por quase 15% dos inquiridos, enquanto 86% afirmam usar carro próprio. Apenas 21% dizem utilizá-lo apenas quando necessário. A esmagadora maioria desses veículos (94%) usam combustíveis fósseis (gasóleo ou gasolina).

Apenas 11% dos inquiridos revelam ter as suas casas termicamente bem isoladas (uma forma de aumentar a eficiência energética nos edifícios). A poupança de energia e de água em casa é um aspeto bastante considerado, já que mais de metade (71%) afirmou que muitos dos seus comportamentos vão nesse sentido. Quanto a produtos não-alimentares e serviços, os portugueses parecem estar conscientes de tentar evitar o excesso de consumo: 62% dos inquiridos garantem que fogem de hábitos de consumismo, não comprando além do necessário. E dizem preferir produtos mais caros, mas de maior duração, quase na mesma proporção (61%). Já no que diz respeito à gestão de resíduos, 67% dos participantes no inquérito fazem durar o mais possível os produtos que compram, e 56% preferem reparar produtos em vez de comprar novos.

A reciclagem aparece como fator fundamental da gestão de resíduos em casa. É de 64% a percentagem de consumidores portugueses que dizem fazê-la adequadamente.  Também foi pedido aos consumidores que indicassem os obstáculos a comportamentos mais sustentáveis. O preço aparece, quase de forma unânime, como a barreira mais difícil de ultrapassar em quase todas as áreas, à exceção da gestão de resíduos domésticos, onde a falta de infraestruturas ou serviços é a razão mais apontada.

Na alimentação, por exemplo, quase metade considera o custo dos alimentos sustentáveis uma barreira para a mudança de comportamento a este nível. O mesmo se verifica na área de compra de produtos e serviços: 41% afirmam serem caras as alternativas sustentáveis. Um pouco menos (38%) dos que acreditam que o preço é a principal barreira para alternativas em viagens e mobilidade, enquanto 33% apontam os custos para a transição para energias mais sustentáveis em casa. 

 

Sobre o Estudo

Um inquérito online foi enviado para a população em geral dos 18 aos 74 anos, entre setembro e outubro de 2021, nos 14 países participantes. A amostra foi ponderada por género, idade, região e nível de escolaridade, para refletir as diferentes realidades nacionais. No total, foram recebidas 14 817 respostas, das quais 1232 com origem em Portugal e, de acordo com os promotores do estudo, os resultados espelham as opiniões e experiências dos inquiridos.