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Portugal consome demasiado peixe

O consumo de pescado está enraizado na cultura do país, no entanto, se se pretende alcançar um consumo mais sustentável, os portugueses terão de diversificar as suas opções e até reduzir a quantidade de peixe que comem.

Um europeu, em média, come 20 quilos de peixe e marisco por ano. Em Portugal, a realidade é diferente e observa-se um consumo três vezes maior que a média europeia, atingindo os 60 quilos por ano no país.

O bacalhau, espécie mais consumida em Portugal, representa um terço do total de pescado consumido. Apesar deste ser o peixe ‘preferido’ dos portugueses, não existe em águas portuguesas e já sofreu com a sobrepesca no passado.

É também necessário optar por produtos obtidos através de métodos de pesca que não sejam destrutivos dos ecossistemas, como é o caso da pesca de arrasto de fundo, que durante o processo “muito do carbono que é absorvido por estes ecossistemas de mar profundo acabam por ser libertados com estas redes”, explica Nicolas Blanc, biólogo marinho e colaborador da Sciaena, uma ONG de conservação dos oceanos.

 

Diversificar o consumo de pescado

As lotas de Portugal contam com mais de 200 espécies diferentes, e apesar da diversidade que se observa, os portugueses concentram quase na totalidade, o seu consumo no bacalhau, no atum, na pescada, na sardinha, nos chocos, lulas ou polvos.

Tendo em conta que optar pelo que é produzido localmente tem tendência para ser uma prática mais sustentável, Nicolas Blanc frisa que é importante informar as pessoas sobre espécies que se calhar nunca comeram, mas que são pescadas na nossa costa. “Em vez de estarmos a consumir coisas que podem vir da aquacultura de outros países ou pescadas noutras águas, muitas vezes em zonas que são alvo de sobrepesca ou pesca ilegal, podemos dar um contributo para os nossos pescadores locais”.

O carapau, a cavala e a sarda são exemplos de espécies que devem ser opções mais constantes na mesa dos portugueses, tal como os bivalves e os cefalópodes, devendo-se evitar as espécies em situações preocupantes como os atuns, bacalhaus, pescada, tubarões, raias e salmão.

 

Reduzir o consumo de pescado

Apesar de que a diversificação do consumo seja uma prática importante, a sua redução acaba por se tornar inevitável, sendo necessário, segundo Nicolas Blanc, optar-se por dietas tendencialmente de base vegetal. “Não estamos a dizer às pessoas para parar de comer por completo, mas é necessário reduzir e pensar em alternativas de base vegetal para termos uma menor quantidade de proteína animal na nossa dieta em geral. Faz parte das nossas tradições e cultura e não irá desaparecer, mas podemos fazer alterações que permitam que esta tradição e cultura perdure”, afirma.

 

 

Fonte: CNN Portugal