//Peixe seco ou enjoado

Peixe seco ou enjoado

Na Nazaré, distinguem-se duas formas de seca¬gem: o Peixe Seco e o Peixe Enjoado.

Apesar de ser uma das principais imagens turísticas da Nazaré relacionadas com a vida dos pescadores e suas famílias, o peixe preparado ao ar e ao sol da praia é um produto pouco conhecido dos gastróno¬mos em geral, sendo os nazarenos e os que habi¬tualmente com eles convivem à mesa quem o sabe apreciar, pois os restaurantes apostam pouco na sua inclusão nas ementas.
A tradição de secar o pescado em excesso é de origem desconhecida, mas antigamente seria a melhor maneira de conservar o peixe para os dias de escassez. Era desta forma que as peixeiras garantiam sustento para as famílias, num procedimento que também lhes permitia ter peixe para vender noutros mercados.

Na Nazaré, distinguem-se duas formas de secagem: o Peixe Seco e o Peixe Enjoado, com caraterísticas de preparação e de consumo relativamente diferentes.
Começa-se por amanhar o peixe para lhe retirar as tripas. Depois, é lavado e passado por uma salmoura feita com água e sal grosso, ou com água do mar, como dantes se fazia. Seguidamente, é aberto ou escalado e, finalmente, estendido nos “paneiros” e posto ao sol. A secagem demora de dois a três dias, dependendo das condições atmosféricas e da temperatura do ar. Este tipo de peixe pode ser comido cru ou desfiado, mas, normalmente, é cozido, acompanhado de batata cozida com pele e regado com azeite e vinagre ou sumo de limão e alho picado.
O Peixe Enjoado é preparado da mesma maneira, mas passa apenas um dia ao sol, ficando apenas meio seco ou enjoado. A espécie mais utilizada para esta secagem é o carapau de tamanho médio. Acompanha com batata cozida e é regado com azeite e vinagre ou com uma cebolada.
É a sul da praia, quase em frente ao Centro Cultural da Nazaré, que se encontra o “estindarte”, ou seja, o estendal de secagem de pescado, onde as várias peixeiras secam e vendem diretamente, tanto aos locais como aos visitantes, o peixe ali exposto.

O Peixe Seco tem um grande potencial gastronómico, podendo ser comido cru, cozido, com batatas às rodelas, sobre um refogado ou, melhor ainda, levemente aquecido nas brasas, temperado com azeite, vinagre e alho migado e comido sobre fatias de pão. Com este peixe, faz-se ainda um outro prato típico e muito apreciado na Nazaré, a Sopa de Carapaus Secos.

NAZARÉ
Existem duas Nazarés. Uma é feita de pescadores, de homens do mar, de mulheres vestidas de preto, gente com os olhos, o coração e o sustento postos no oceano revolto. A outra é uma babel composta por uma população flutuante que aflui aqui, vinda do mundo, à procura da onda gigante perfeita que irá constar num famoso livro de recordes, ou de um bonito tom de pele conseguido num areal a perder de vista e potenciado pelo ar saturado de iodo. Estas duas realidades encontram-se quando os habitantes locais se esmeram na hospitalidade: nos restauran¬tes servem com orgulho os pratos confecionados com o pescado do dia, nas ruelas abrem as suas ca¬sas ao turismo numa oferta expressa de Chambres, Rooms e Zimmer.
O turismo e a pesca são as atividades que fazem pulsar a vila. Quando Ramalho Ortigão publicou “As Praias de Portugal – Guia do Banhista e do Viajante” em 1874, já a Nazaré era destino de férias principalmente ocupada pelos banhistas das Caldas e pessoas d’aquelas redondezas da Extremadura : Pombal, Leiria, Torres Novas, Santarém. Com o tem¬po, internacionalizou-se. Em 2011, o surfista americano Garrett McNamara levou esta faixa costeira às bocas do mundo, depois de ter cavalgado uma onda de quase 30 metros e, imediatamente, a Nazaré tornou-se destino de peregrinação do amante deste desporto radical de qualquer parte do globo. Mas, esta ondulação furiosa que hoje fascina os turistas foi, desde há séculos, motivo de temor e de luto para a população que dependia do mar para viver. Apesar do risco, a pesca, a transformação do pescado, o pitoresco processo da seca e a venda de peixe, são, ainda hoje, a principal atividade da população.

IN: Os Sabores da Nossa Terra – Leaderoeste – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste.