//Peixe ‘rejeitado’ em produtos alimentares
peixe

Peixe ‘rejeitado’ em produtos alimentares

O projeto ‘VALORJET’ desenvolveu produtos alimentares tendo por base espécies de peixe rejeitadas ou de baixo valor comercial.

Através da choupa, do carapau-negrão, dos ruivos, do serrão-alecrim e da mini-saia, espécies utilizadas neste projeto, criaram-se os produtos alimentares ceviche de choupa, paté de carapau fumado, lira desidratada, pastéis de serrão e mini-saia frito.

“Este projeto é um exemplo da importância da investigação na valorização dos recursos alimentares marinhos para uma utilização eficiente e sustentável, nomeadamente pela utilização de espécies sem valor comercial, no desenvolvimento de produtos alimentares com valor acrescentado”, considera Maria Manuel Gil, coordenadora do MARE – Politécnico de Leiria e investigadora responsável pelo projeto no Politécnico de Leiria.

Para além de valorizar estas espécies, o projeto também contribui para a extensão da validade dos preparados de peixe fresco.

“Em termos nutricionais e sensoriais, obtivemos resultados muito promissores, considerando que o pescado com baixo valor, ou mesmo sem valor comercial, demonstrou-se nutricionalmente rico e livre em metais pesados” explica Filipa Pinto, investigadora do Politécnico de Leiria.

Ao contrário do que acontece com as espécies ‘comuns’, as de menor valor comercial são raramente acompanhadas biologicamente. A investigação realizada no âmbito do projeto ‘VALORJET’ “demonstrou que todas as espécies estudadas apresentam, em geral, bons teores de proteína, comparáveis aos que se encontram em espécies mais consumidas, como o salmão e a pescada, e um teor de gordura que as classifica como peixes magros”.

Os resultados obtidos demonstram que, entre o pescado estudado, o carapau-negrão é o que apresenta maior potencial para o futuro, “Apresenta uma elevada abundância (cerca de 3500 toneladas/ano), uma elevada fecundidade e uma taxa de crescimento moderada, fatores muito favoráveis a uma capacidade de resiliência da população” refere o comunicado.

O projeto, financiado pela Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos no âmbito do Programa Operacional MAR 2020, é promovido pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o polo de Lisboa do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, em parceria com o Politécnico de Leiria, através do polo de Peniche do MARE, também contou com a colaboração das empresas transformadoras Nigel e Omnifish e o apoio da Cooperativa de Pesca Geral do Centro.