//Palmela – Fogaça
fogaça de palmela

Palmela – Fogaça

A Fogaça de Palmela integra o receituário do concelho de Palmela. Associada à devoção a Santo Amaro, este bolo inclui na sua confeção erva-doce e aguardente. O resultado é aromático e o paladar rico.

Na base da confeção está um alimento central da mesa portuguesa, o pão. Neste caso, a massa de pão, à qual se juntam os elementos doces, açúcar e canela. O elenco de ingredientes conta ainda com ovo, farinha, banha e laranja. Depois de bem amassada, deve levedar 30 minutos e está pronta a ser moldada, finalizando com uma pincelada de ovo. Vai ao forno e… Bom apetite!

A Fogaça de Palmela assume diferentes formatos. Animais, cachos de uva, corações ou partes do corpo, a invocar promessas a Santo Amaro para saúde ou cura de pessoas, animais e campos agrícolas, sendo esta razão dos formatos que ainda hoje permanecem.

 

Um pouco de história

Existe em torno da Fogaça um antigo ritual local. No dia 14 de janeiro, véspera de Santo Amaro, as Fogaças eram feitas em casa das famílias que pediam a massa de pão aos padeiros da vila. No dia seguinte, a massa ia a cozer ao forno do padeiro, ainda quente do pão da manhã.

Mais tarde, no mesmo dia, as Fogaças eram levadas para a Igreja Paroquial, em cestos de verga, envoltas em panos bordados, para serem benzidas com o objetivo de ser concedida a prece rogada.

Uma parte das Fogaças benzidas era leiloada nas festas populares e o dinheiro revertia para o culto de Santo Amaro. As restantes Fogaças eram levadas para casa e distribuídas pela família e amigos.

Em Palmela foi recuperada a tradição da Bênção da Fogaça pela Confraria Gastronómica de Palmela, com o apoio do Município de Palmela, numa cerimónia anual que se realiza a 15 de janeiro.

 

Harmonização

O Moscatel de Setúbal é uma Denominação de Origem centenária, um generoso de reconhecimento internacional, que é harmonizado de forma perfeita com a Fogaça de Palmela.

São duas as variedades de Moscatel na região vitivinícola da Península de Setúbal: o Setúbal e o Roxo de Setúbal. Casta originária do Egipto, que tem outras variedades no mundo mas, no entanto, é na casta Moscatel de Setúbal que reside uma maior concentração aromática e riqueza na prova. É uma casta branca, de cacho grande e cor amarelo-esverdeado, com aromas de citrinos, mel, tília, líchias ou passa de uva.

O Moscatel Roxo de Setúbal, casta originária da Península de Setúbal, é classificada como casta tinta. De cacho pequeno, doce e compacto, na prova excede as expetativas criadas pelo seu perfil aromático, com um paladar de especiarias e compota de ginja e figo.

 

‘Memória de Sabores’ – Homenagem

Assinalamos o 21º aniversário da elevação da Gastronomia Portuguesa a ‘bem imaterial do património cultural de Portugal, com uma homenagem a:

Na Gastronomia

Amílcar Malhó

Natural da aldeia de Quinta do Anjo, em Palmela, aqui viveu toda a sua juventude. Em Setúbal frequentou a Escola Comercial e jogou futebol no Vitória Futebol Clube. Como jornalista, iniciou o seu percurso na rádio, passando pela emblemática Rádio Pal.

Mantem a sua paixão pelo jornalismo. É diretor e fundador do “Jornal dos Sabores”, um órgão de informação dedicado à divulgação da gastronomia e vinhos.

Detentor de um vasto conhecimento nesta área, Amílcar Malhó difunde e promove a gastronomia de norte a sul de Portugal, sempre com especial atenção e carinho pelas tradições, aromas e sabores do concelho de Palmela, que o tornam num grande embaixador desta região.

Membro de diversas Confrarias, entre elas a Confraria Gastronómica de Palmela, é autor e colaborador de várias publicações e dedica grande parte do seu tempo a transmitir conhecimento nas Escolas do Turismo de Portugal.

No Vinho

Venâncio da Costa Lima

Produtor e engarrafador de vinho, a Venâncio da Costa Lima é uma adega que data de 1914 e tem na produção de Moscatéis de Setúbal o seu ex-libris. Com vários prémios nacionais e internacionais, o Setúbal Reserva arrecadou o galardão de “Melhor Moscatel do Mundo” no Concurso Muscats du Monde.

Fundada por Venâncio da Costa Lima, empresário estimado na região, esta casa agrícola é localizada em Quinta do Anjo, dedicando-se ao comércio de vinho, azeite e cereais, tendo sido considerado o segundo maior produtor de vinho na região. Na sua quarta geração, continua a ser uma empresa familiar, que movimenta milhões de litros de vinho, tendo recentemente apostado na requalificação do espaço, dedicando parte da sua atividade ao Enoturismo, onde organiza experiências enoturísticas na vinha, visitas guiadas à adega e provas de vinho.

 

(Conteúdos produzidos pelo município de Palmela, para ‘Harmonizações, histórias e Memórias’, aquando da comemoração dos ‘21 Anos da Gastronomia Património Cultural’, promovida pela AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho)