//Ourém – Sopas do Verde

Ourém – Sopas do Verde

O nome desta receita deriva de sangue – ‘o verde’ – pois tem por base a utilização do sangue e…

De acordo com a tradição oral, o nome desta receita, com origem na região serrana (Ourém), deriva de sangue – ‘o verde’ – pois tem por base a utilização do sangue e das vísceras dos carneiros tradicionalmente abatidos para os banquetes nupciais ou as festividades de cariz religioso, numa perspetiva de aproveitamento máximo dos parcos recursos disponíveis. Com o abandono da pastorícia e o consequente desaparecimento da criação de ovinos, os organizadores das festas passaram a comprar a carne e o sangue nos talhantes que, muitas vezes, em vez de sangue e de vísceras de carneiro, vendem de vaca. Mas, apesar destes desvios, a tradição mantém-se e, em dias de festa, em mesas corridas, sentam-se paroquianos e visitantes para saborear as Sopas de Verde, que ninguém faz em casa, pois ”sabem muito melhor quando são feitas em conjunto por muita gente”.

Ingredientes
1 kg de vísceras lavadas de carneiro, de cabra ou de vitela e, eventualmente, carne das mesmas reses; sangue dos referidos animais; 1 cebola grande; 2 dentes de alho; 0,5 l de vinho branco; pimentão doce q.b.; 1 folha de louro; 1 raminho de hortelã; 0,5 kg de pão caseiro, de preferência com dois dias de cozedura; sal q.b. e piripiri opcional.

Preparação
Num alguidar de barro, coloca-se as carnes a marinar com o vinho e todos os temperos, durante, pelo menos, 1 hora. Coze-se o sangue, de preferência em panela de ferro, só em água e sal. Já cozido, corta-se em pedaços pequenos para um tacho de barro onde já se deve encontrar alourada a cebola. Junta-se-lhe o conteúdo do alguidar e deixa-se guisar em lume brando. Com o guisado pronto, acrescenta-se-lhe água, para fazer molho e deixa-se ferver um pouco.
Numa terrina, põe-se o pão em fatias, ou migado à mão, com o raminho de hortelã. Sobre ele, derrama-se o molho do guisado, para ensopar e coloca-se a carne por cima. Deve servir-se bem quente1.

Harmonização
Sendo este um prato de carne pouco elaborado, acompanha bem com vinhos tintos da Região Tejo que tenham menor complexidade. Assim, procure um tinto jovem, sem estágio em madeira, para ligar com esta sopa.

IN: Os Sabores da Nossa Terra –ADIRN – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte