//Os ‘Florados’ de Lagoa

Os ‘Florados’ de Lagoa

Lagoa lança campanha de promoção do seu doce conventual, os Florados de Lagoa.

‘Do Convento para a mesa’ é o nome da campanha que pretende dar um novo incentivo à divulgação e promoção dos Florados de Lagoa cuja composição “à base de açúcar, amêndoa e fios de ovos é um legado da cozinha tradicional algarvia, alicerçada nos milenares hábitos mediterrânicos e na fusão de sabores da alimentação árabe com a doçaria conventual”, como se refere no site da Câmara Municipal.

Após a recuperação da receita original, através dos saberes e técnicas documentadas, o município lançou no passado dia 12 de agosto, nos Claustros do Convento de S. José, em Lagoa, uma campanha de reativação da marca ‘Florados de Lagoa’, celebrando um protocolo de cooperação entre a autarquia e várias entidades aderentes ao projeto.

Com o objetivo de dar a conhecer este doce tão típico e genuíno, está a ser implementada uma estratégia de promoção que levará os Florados de Lagoa até aos parceiros que vão da hotelaria, à restauração, passando pelas pastelarias com fabrico próprio.

Da próxima vez que vá a Lagoa, procure os locais de venda e não deixe passar a ocasião de saborear um dos ‘segredos’ da doçaria algarvia, agora a ser devendado.

Os ‘Florados’ de Lagoa

Em Lagoa, a presença de religiosas recolhidas no Convento de São José, desde o século XVII, estará na génese de um conjunto de receitas de doces registadas no concelho, entre os quais os agora conhecidos “Florados de Lagoa”.
Nos finais do século XIX, a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, cuja fundadora foi Teresa de Saldanha, instala-se no Convento de S. José, onde ainda subsistiam algumas das freiras Carmelitas…./…o facto das irmãs confecionarem bolos, a pedido das ditas senhoras mais ricas da então Vila de Lagoa sempre que recebiam visitas em suas casas.
A receita surge mais tarde integrada na 1ª edição d’O Livro de Pantagruel, da autoria de Bertha Rosa Limpo, publicado pela primeira vez em 1946, considerado uma das maiores obras da culinária escrita na língua portuguesa, sob a designação “Floradas”.
Nas últimas décadas, a confeção dos Florados caiu em desuso e no esquecimento de muitos, e gerações mais recentes perderam completa referência à existência deste doce. Por outro lado, a D. Cremilde, doceira conceituada do nosso concelho, mantendo o legado da família desde a sua avó, é prova viva desta existência. Transmitiu-nos que se lembra dos florados, e que segundo a mesma era considerado uma iguaria/guloseima, que não sendo um bolo que se confecionasse com regularidade estava destinado a momentos festivos, casamentos, batizados. Relatou-nos, inclusive, alguns locais onde se vendiam, tais como, uma pastelaria em Portimão cujo dono era de Lagoa.

A recuperação deste património gastronómico de Lagoa e do Algarve, através do registo e da transmissão da arte de bem fazer doçaria, concorre para o conhecimento e preservação da cultura imaterial lagoense, que o Município deseja reavivar e promover, uma verdadeira marca identitária da pastelaria tradicional algarvia.

 

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