//Ofereça o vinho, não o preço

Ofereça o vinho, não o preço

Vinho pode ser uma boa oferta para este Natal. Mas não escolha (apenas) pelo preço.

Sim, é verdade que a pessoa a quem oferece pode, mais tarde, ver aquele vinho numa prateleira e… ficar desiludido(a) pelo valor da oferta que recebeu. A não ser que tenha gostada tanto do vinho, que valorizou sobretudo a capacidade que demonstrou de perceber a sua preferência vínica.

Também se pode dar o caso de ter oferecido um vinho caro e a pessoa que o recebeu concluir que… “gastou um balúrdio, para me oferecer esta zurrapa”. Ou pior ainda, pensar: ”coitado(a) tinha boa intenção mas não me conhece minimamente”.

Com a evolução no consumo de vinho em Portugal (evolução qualitativa, diga-se) aumenta ano a ano a oferta e a procura, mas também o conhecimento, nem que seja básico, sobre o universo dos vinhos.

Para uma oferta, facilita se recordar, em relação a quem quer oferecer, uma região, uma preferência (tinto, branco, generoso), ou mesmo uma marca que ouviu numa conversa. E porque não, pedir ‘pistas’ a quem conhece a pessoa em questão.

O mercado oferece cada vez mais bons vinhos nacionais a preços ‘muito em conta’. Claro que existem aqueles que impressionam mais, são mais badalados e que se apresentam como ‘apostas certas’. Estão em muitas revistas da especialidade, são muitos badalados, muito elogiados pelos especialistas, mas talvez não seja necessário «empenhar o relógio» para oferecer um vinho. (Pois, é verdade que atualmente já quase ninguém usa relógio)
Reconheçamos que encontrar um vinho surpreendente a menos de 5 ou 6 euros, não é fácil. Mas ali por volta dos 10/15 euros já se encontram muitas boas surpresas. E se estiver disposto (a) a ir até 20, vá lá 25 euros, não é esse fator que determina mas aumentam as hipóteses de ‘acertar em cheio’.

E, claro, se tiver a sorte de encontrar um bom profissional para ajudar (que os há cada vez mais), não hesite em conversar com ele. E já agora, se lhe confidenciar qual o ‘orçamento’ previsto, facilita muito.

Quanto à importância do preço na aquisição de um vinho, fica aqui a opinião de dois especialistas, extraídas de um artigo publicado no ‘Jornal dos Sabores’ em abril de 2016:

Vasco d’Avillez, ex-presidente da Comissão Vitivinícola de Lisboa e ex-presidente da Viniportugal, entre muitas outras funções que desempenhou ao longo de mais de 40 anos ligado ao mundo dos vinhos:

O vinho, quanto mais caro melhor?
Não. Este conceito está completamente errado! Bom ou melhor ou muito bom é aquilo de que o Cliente gosta! Ora se esta for a base, então temos inúmeros vinhos cujo preço, abaixo de cinco euros na venda ao Público (Chama-se PVP) é esclarecedor de que está ao alcance de todas as bolsas, e pode ser que agrade ao consumidor muito mais do que um outro de 50 euros.

Quais são os principais fatores para um vinho alcançar preços altos?
O primeiro fator é sem dúvida o Marketing!
O segundo fator é sem dúvida o Marketing!
O terceiro fator é sem dúvida o Marketing!

Oferecer um vinho deve ter em conta o valor monetário da oferta?
Não! Deve ter em conta o gosto de quem o recebe e o nosso gosto em oferecer!

Mário Louro, um dos mais respeitados formadores portugueses na área dos vinhos, foi, entre muitos outros cargos, presidente do Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados:

Vinho quanto mais caro, melhor?
Nem sempre o melhor vinho é o mais caro. As variáveis são muitas e algumas vezes os preços estão associados à fama das marcas.

Quais são os principais fatores para um vinho alcançar preços altos?
Começamos pela idade da vinha, depois a escolha das variedades, o rendimento das mesmas, o tipo de colheita (manual), a vinificação, o estágio e o tempo de envelhecimento. A origem também manda no preço, mas associado temos a escolha de barrica. Depois, a lei da oferta e da procura faz a diferença.