//O enólogo(a) ‘trabalha’ para o enófilo(a)

O enólogo(a) ‘trabalha’ para o enófilo(a)

Fala-se muitos neles(as), mas a maioria dos enófilos não conhece a função do enólogo.

O escritor brasileiro Luis Groff definia desta forma a diferença entre o enólogo e o enófilo:
“O enólogo é o indivíduo que perante o vinho toma decisões, e o enófilo é o indivíduo que perante as decisões toma vinho”.
Trata-se de uma forma assumidamente humorística de evidenciar o papel de cada um no mundo dos vinhos embora evidentemente beber (tomar) vinho para tomar decisões pode eventualmente ajudar se bebido em pequenas quantidades. Por outro lado, se um enófilo não precisa de ser um enólogo este, necessariamente, tem que ser também um enófilo.

A atual Associação Portuguesa de Enologia e Viticultura, que representa os enólogos (e técnicos de viticultura), começou por ser Associação Portuguesa de Enologia, criada em1979, que se empenhou no processo de reconhecimento do Estatuto Profissional do Enólogo, tendo conseguido atingir esse objetivo com a publicação da Lei n.º 59/2009, de 5 de agosto, que aprovou o Estatuto do Profissional de Enologia.
Para se conhecer melhor este ‘cozinheiro do vinho’, vejamos o Estatuto referido, que define o enólogo como “o profissional que, possuindo os conhecimentos científicos e técnicos adequados aos níveis profissionais nela estabelecidos, é capaz de acompanhar todas as operações, desde a cultura da vinha até ao engarrafamento, incluindo a colheita das uvas, os processos de vinificação, armazenamento e envelhecimento, supervisionando e determinando todas as práticas necessárias a garantir a qualidade do vinho, abrangendo os diferentes momentos da elaboração e os diversos tipos de vinho ou produtos vitivinícolas”.

 

 

E também capaz de desempenhar, nomeadamente, as seguintes funções:
a) Aplicar os conhecimentos científicos e técnicos adquiridos e os constantes de textos científicos;
b) Proceder à pesquisa tecnológica;
c) Colaborar na conceção do material utilizado em enologia e no equipamento das adegas;
d) Colaborar na instalação, na cultura e tratamento das vinhas;
e) Assumir a responsabilidade da elaboração do mosto de uva, do vinho e dos produtos derivados da uva, assegurando a sua boa conservação;
f) Proceder às análises físico -químicas, microbiológicas e organoléticas dos produtos referidos na alínea anterior e interpretar os seus resultados;
g) Cumprir as normas aplicáveis à higiene e segurança dos géneros alimentícios.

Na verdade, a grande maioria dos enólogos, atualmente, vai muito para além das funções acima enumeradas atuando, nomeadamente, no apoio comercial e de marketing através da presença em eventos promocionais e apresentações técnicas, ou mesmo colaborando na gestão, principalmente no caso de pequenas empresas e cooperativas.

No Estatuto do Profissional de Enologia são estabelecidos três níveis profissionais:
a) Auxiliar de enologia; b) Técnico de enologia; c) Enólogo.

E já agora, podemos definir de forma simples o enófilo como o ‘apreciador e conhecedor’ de vinhos.