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Novo pomar de Maçã Riscadinha em Palmela

70 macieiras de Maçã Riscadinha foram plantadas pela ADREPES – Associação para o Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal no Espaço Fortuna.

O Espaço Fortuna, em Quinta do Anjo, conta agora com um novo pomar com 70 macieiras de Maçã Riscadinha. O objetivo é que esta seja mais uma oferta pedagógica e turística deste local (no futuro, estão previstas visitas e degustações do fruto), contribuindo, ao mesmo tempo, para preservar a identidade da espécie e para a biodiversidade do Parque Natural da Arrábida.

O pomar foi plantado pela ADREPES – Associação para o Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal, que contou com o apoio do projeto ‘Maçãs de Lisboa’, cujo objetivo é valorizar as variedades tradicionais de maçã produzidas na Área Metropolitana de Lisboa, e com um apoio financeiro na sequência da sua candidatura ao OPP – Orçamento Participativo Portugal.

A Maçã Riscadinha foi uma companheira fiel da vinha nas terras palmelenses. Era habitual manter macieiras por entre as linhas de videiras. Estas maçãs, que davam frescura ao calor do verão, com o seu aroma e as suas cores vibrantes, garantiam ao agricultor o rendimento necessário para pagar a vindima. As suas características únicas, o equilíbrio entre acidez e doçura, o sabor e aroma são fatores que a distinguem.

Com a introdução da mecanização na produção da uva, a macieira foi sacrificada e deu lugar à monocultura da vinha. Alguns agricultores reconheceram o papel desta fiel amiga e plantaram alguns pomares de macieiras, mas a maior parte apenas conservou algumas (poucas) árvores nas imediações das casas para autoconsumo e pouco mais.

O Município de Palmela entende que a Maçã Riscadinha necessita de medidas especiais de apoio, desde logo, à sua proteção enquanto espécie que importa preservar, e que é necessário apostar na plantação desta árvore, tão ligada à identidade do território, também como elemento da paisagem em espaço público.

 

 A Maçã Riscadinha

A proximidade da região de origem ao mar, aos estuários do Tejo e do Sado e à Serra da Arrábida e o seu relevo pouco acidentado e próximo do mar criam um microclima na área geográfica delimitada da produção que em conjunto com as características edáficas do território criam as condições particulares que promovem a obtenção dos frutos da Maçã Riscadinha de Palmela com qualidade e características específicas e de excelência. 

Tendo em conta as condições climáticas requeridas, as características edáficas especiais da região, o saber fazer peculiar das populações e os métodos locais, leais e constantes, a área geográfica delimitada da produção está, do ponto de vista administrativo, naturalmente circunscrita às freguesias de Canha, Santo Isidro de Pegões, do concelho de Montijo, às freguesias de Marateca, Palmela, Pinhal Novo, Poceirão e Quinta do Anjo, do concelho de Palmela, bem como às freguesias de Gâmbia-Pontes e Alto da Guerra e S. Sebastião, do concelho de Setúbal assumindo o somatório das áreas o valor de 777,2Km2.

 Contrariamente ao que acontece com outras variedades portuguesas (e.g. pêra Rocha do Oeste, maçã Bravo de Esmolfe), não se tem conhecimento de qualquer registo escrito, de valor histórico, sobre a origem da Maçã Riscadinha de Palmela. Face ao exposto, foi necessário realizar uma consulta aos agricultores na região para obter informações. Apesar de todos confirmarem a sua antiguidade na região, apenas o senhor Vasco Caetano Oliveira Machado, nascido a 15 de janeiro de 1922 em Palmela, soube indicar como evoluiu esta cultura na região.

Assim, segundo ele, a variedade de macieira Riscadinha de Palmela terá surgido no século XIX juntamente com a variedade de macieira Espelho, no lugar de Barris, concelho de Palmela. A Maçã Riscadinha de Palmela é um dos ex-libris da região, sendo conhecida pelo seu excelente e característico sabor, pela sua utilização para perfumar as casas, devido ao seu intenso e inconfundível aroma bem como pela sua larga inclusão no receituário gastronómico regional.

 

Fonte: https://tradicional.dgadr.gov.pt/