//Vinho II: O ‘nome’ da cepa

Vinho II: O ‘nome’ da cepa

Rabigato, Viosinho, Bastardo, Rufete, Tinta Cão, são nomes de castas portuguesas.

Se, junto de ‘especialistas’, perguntar pelo nome da cepa, ou videira, provavelmente vai receber, no mínimo, um olhar reprovador. Mas não se preocupe, porque na próxima vez perguntará: de que casta é? Pergunta o mesmo, mas com linguagem mais ‘vinica’.

Na verdade, a casta designa a variedade da planta que vai fornecer as uvas, que adotam, evidentemente, o mesmo nome e podem ser as castas brancas Rabigato ou Viosinho, ou as castas tintas Bastardo, Rufete ou tinta Cão. Usei propositadamente designações pouco comuns, para chamar a atenção, mas posso referir-lhe algumas outras mais conhecidas como, por exemplo:

Nas brancas
Alvarinho, associada ao Minho e à produção de vinhos verdes. Arinto, caraterizada pela acidez, possui uma Região Demarcada em Bucelas, ou Fernão – Pires que origina vinhos com pouca acidez e é uma das castas mais plantadas em Portugal.

Nas tintas
A Castelão, ainda conhecida por Periquita e também por João-de-Santarém, que tem na Península de Setúbal, talvez a sua região de eleição. A Touriga-Nacional, plantada em várias regiões de Portugal, produz vinhos aromáticos e ricos em matéria corante.

Nesta curta e breve apresentação referi um conjunto de informações que permitem chamar a atenção para as diferentes caraterísticas das castas e consequentes diferenças dos vinhos que poderão delas resultar. Mas isso não quer dizer que os vinhos resultem iguais se forem produzidos com uvas da mesma casta. Neste caso, o vinho designar-se-á varietal ou monocasta e, com a mesma variedade de uvas, o enólogo poderá fazer vinhos com substanciais diferenças que podem resultar igualmente das caraterísticas do solo e do clima, a que também chamam, ‘terroir’.

Quando os vinhos são produzidos com um conjunto de uvas de várias castas, são designados vinhos de lote, ou blends. Atualmente, cada vez mais consumidores ficam atentos à informação do contra-rótulo, onde normalmente são identificadas as castas utilizadas na produção do vinho, algumas vezes até com a indicação das percentagens de cada uma.

Portugal é dos países mais ‘ricos’ em castas autóctones, estando identificadas mais de 250 e possuindo, desde 2009, uma associação que se dedica a esta temática. Trata-se da PORVID – Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira que congrega várias entidades públicas e privadas em Portugal que se juntaram para promover a conservação das castas de videira presentes naturalmente no seu território. Para isso, tem a seu cargo a gestão do Pólo Experimental Central para a Conservação da Variabilidade das Videiras Autóctones que se localiza em Pegões, concelho de Palmela.

Amilcar Malhó
Foto: Vinha em Reguengos de Monsaraz, a maior das oito sub-regiões vitivinícolas do Alentejo, cujas castas mais plantadas são a Aragonês (tinta) e a Antão Vaz (branca).