//No ‘murinho da honestidade’, tira-se, paga-se e come-se.

No ‘murinho da honestidade’, tira-se, paga-se e come-se.

Numa Universidade do Rio de Janeiro quem vende deixa os alimentos e vai-se embora. Quem compra, escolhe e deixa o dinheiro.

O ‘murinho da honestidade’ fica na UniRio, a Universidade Federal do Rio de janeiro onde leciona Joice Lavandoski que comenta: “Para a atual realidade brasileira e carioca é quase uma utopia”.

Tudo começou com dois alunos que viram uma oportunidade de montar um pequeno negócio para ajudar a suportar os custos de estudante.

E assim, sem câmaras e sem vigilância, quem quer vender deixa o produto e vai-se embora. O comprador escolhe e deixa o dinheiro. E a oferta vai de brownies (doce típico dos EUA) aos pastéis de queijo, brigadeiros, mousse de maracujá cremoso, ou ‘trufa delícia’, entre outros.

Joice Lavandoski, que estudou turismo na Universidade do Algarve e em Portugal participou em inúmeras atividades relacionadas com o vinho, é atualmente professora na UniRio e comentou para o ‘Jornal dos Sabores’ esta experiência vivida pelos jovens cariocas:

O Murinho da Honestidade, localizado nas dependências da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), no bairro da Urca, é um espaço que estimula a aprendizagem, ao promover o saber-fazer local dos alunos que preparam os alimentos e deixam à disposição de professores, outros alunos, colegas e funcionários da Universidade.

Também, é um espaço democrático, de exercício da integridade humana e do respeito, onde se pode escolher os alimentos e pagar um valor justo por eles. É um tipo de comércio sem grande controle de pagamento, pois vigora o princípio de honestidade entre vendedor e cliente.

Para a atual realidade brasileira e carioca é quase uma utopia, por ser difícil de acreditar que tal exercício seja possível e perdure em momentos de crise em que se vive no Brasil.

Max Bruno Abreu, estudante de Museologia conta o que aconteceu quando voltou ao murinho para recolher a ‘receita’ da venda. “Botaram assim: Não tinha trocado. Deixei cinco. Amanhã pago R$ 1. Beijos te amo”. O jovem termina comentando: “Fiquei até curioso para saber quem é”.

Numa publicação brasileira escreve-se: “Mais do que o sabor, o que fascina é o ambiente. O consumidor não só paga o que deve pagar como contribui tampando as caixas, deixando tudo limpo e no lugar. Tudo isso em 2017, no Brasil”.
“Parece um país honesto. Parece um lugar honesto”, destaca um estudante.