//‘Miminhos dos Reis’ chegam ao mercado
bolachas miminhos dos reis

‘Miminhos dos Reis’ chegam ao mercado

Bolachas com motivos das pinturas de Reis, concebidas no âmbito do Empreendedorismo Escolar, fazem sucesso e passam do artesanal para a produção industrial.

A ideia nasceu há cinco anos de nove alunos do 3.º ano da Escola Básica de Canados, em Alenquer, e foi recuperada pela empresa Europastry que a colocou nas prateleiras dos supermercados no dia 30 de novembro do ano passado.

Os estudantes, sob a orientação das professoras Carla Mourão, Luísa Morais e Selma Moreira, e no âmbito de um projeto educativo de fomento ao empreendedorismo nas escolas daquele município, decidiram criar bolachas artesanais, cobertas de pasta de açúcar, que representam alguns dos símbolos pintados pelos Reiseiros em algumas aldeias do concelho de Alenquer na noite de Reis.

“As bolachas Miminhos dos Reis tiveram origem na tradição alenquerense do Pintar e Cantar dos Reis, que decorre na noite de 5 para 6 de janeiro. Estas bolachas são cobertas de pasta de açúcar, representando alguns dos símbolos pintados pelos Reiseiros que percorrem as aldeias do concelho de Alenquer na Noite de Reis”, explicou Paulo Franco, vereador do Ambiente, Atividades Económicas, Cidadania, Empreendedorismo, Fundos Comunitários e Saúde da Câmara Municipal de Alenquer.

bolachas miminhos dos reis

Impressionado pela qualidade do projeto, Paulo Franco contactou a Europastry, uma empresa multinacional na área da padaria e pastelaria ultracongelada, no sentido de apurar a viabilidade de produzir e comercializar estas bolachas a que deram o nome de ‘Miminhos dos Reis’. O autarca revela que, na altura, há cinco anos, “os alunos testaram as receitas com a colaboração de uma pasteleira local, ensaiaram embalagens, desenharam logótipos, criaram e emitiram notas de encomenda, até que, por fim, começaram a comercializar o produto de maneira informal. Ao reconhecermos o potencial desta ideia, contactámos a Europastry – empresa multinacional na área da padaria e pastelaria ultracongelada com sede no Carregado – que aceitou o desafio do município de Alenquer e colocou em marcha um estudo de viabilidade de produção deste produto que passou do fabrico artesanal para a produção industrial”.

“O produto está a ser muito bem recebido pelos consumidores, especialmente nesta quadra natalícia. A procura excedeu em muito a oferta e o produto está, atualmente, praticamente esgotado em todas as lojas aderentes, tendo o fornecedor, a Europastry Portugal, iniciado uma nova fase de produção”, acrescentou ainda Paulo Franco e sublinhou que “nem a escola nem a autarquia obtêm quaisquer lucros relacionados com a comercialização deste produto. A autarquia beneficiou, sim, em 2017, de um financiamento no valor de cinquenta mil euros, ao abrigo de uma candidatura no âmbito do Programa Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar – Aluno ao Centro, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Oeste. Foi este financiamento que serviu de apoio ao lançamento do projeto dos Miminhos dos Reis”.

Há ainda outros parceiros envolvidos, nomeadamente ao nível da distribuição, com o apoio do Auchan Supermercado Campera, do Intermarché de Abrigada, da Confraria do Café, do Continente Modelo Carregado e da gráfica Simões & Gaspar. “O acordo que formalizamos com estas empresas é concretizado ao abrigo das Parcerias de Responsabilidade Social Empresarial, projeto que consiste no estabelecimento de acordos com empresas locais, com o intuito de promover eventos e executar ações que contribuam para a comunidade local”, explica o vereador.

Empreendedorismo Escolar em Alenquer

Foi no ano 2014-2015 que o empreendedorismo chegou às escolas do concelho. Começou com um projeto-piloto no 1.º ciclo, no Agrupamento de Escolas Damião de Góis, com três turmas do 4.º ano, numa parceria com a AIP (Associação Industrial Portuguesa) e a iniciativa Atelier Empreender Criança e foi sendo alargado.  Atualmente existe em quatro agrupamentos de escolas, abrangendo uma população escolar que vai desde o 1.º ciclo do ensino básico (3.º e 4.º anos) até ao ensino secundário (via profissional), sendo a Educação para o Empreendedorismo uma disciplina de oferta complementar obrigatória no 2.º e nos 3.º ciclos do ensino básico, desde 2019.

Para a operacionalização do programa de empreendedorismo, além da equipa técnica da autarquia, a câmara de Alenquer estabelece parcerias com outras entidades, nomeadamente a AIP – Associação Industrial Portuguesa e a Circular Economy Portugal.  Para Paulo Franco “a grande premissa deste modelo educativo é a de que o empreendedorismo não é apenas um meio para criar empresas, mas sim, um caminho para o desenvolvimento transversal das competências cívicas das crianças e jovens, que lhes permita ter um papel socialmente mais ativo, criando valor para si próprios e junto das suas comunidades”.