//Marisqueira Ribadouro revelou alguns «segredos»

Marisqueira Ribadouro revelou alguns «segredos»

Saber escolher, cozinhar e preparar os mariscos foi o pretexto para a emblemática marisqueira/cervejaria reunir os jornalistas.

Um saboroso pretexto, diga-se. Mas também muitíssimo interessante e útil, acrescente-se.

Com 30 anos ‘de casa’, Manuel Almeida e Alberto Mota falaram da sua carreira profissional e revelaram alguns dos segredos e técnicas que há 70 anos fazem da Ribadouro uma das principais referências marisqueiras de Lisboa.

Na «demonstração didática» oferecida aos presentes, foi sublinhado o facto de as espécies apresentadas terem (sempre) como origem a costa portuguesa pois tal como no peixe, “temos o melhor marisco do mundo”, lembrou Manuel Almeida. Como justificação, entre outras, a qualidade e diversidade da alimentação das espécies e a temperatura das águas. Mas vamos ao «desfile»:

Começámos pelas ostras e o alerta quanto à imperiosa necessidade de que sejam depuradas já que, alimentando-se da filtragem das águas, podem ‘absorver’ toxinas prejudiciais à saúde.

Para além de ficarmos a saber que este bivalve pode aguentar um máximo de sete dias a uma temperatura de 0 a 5º, também observámos o (nada fácil) processo de abrir as ostras com uma faca própria.

Seguiu-se a sapateira, um crustáceo que pode medir entre 11 cm e 25 cm de comprimento cuja casca, recheada com a sua própria carne e miudezas é um dos petiscos com maior saída na casa.

No momento da compra devemos optar por um exemplar mas pesado e compacto e, muito importante, para saber se está ‘cheio’ devemos abaná-lo e se sentir líquido no interior, é sinal de pouca carne. Para a cozer deve mergulhar-se em água a ferver com sal, mas antes, deve esperar que fique ‘mortiça’ isto é, com as pinças (pernas grandes) sem sinal de vida. Para um «bicho» com 1 Kg o tempo após levantar fervura será de 10 minutos.

Passámos depois para a lagosta (nacional, claro), um crustáceo que pode chegar a pesar mais de 1 Kg.
Consideradas espécies de luxo, pelo valor económico bastante elevado que alcançam, devem ser cozidas vivas – e por isso ficam em viveiros – com um tempo de 20 minutos para 1.5 Kg de marisco. Após cozidas, não esquecer retirar a tripa.

De seguida, vieram os percebes, crustáceos constituídos pela unha e o pedúnculo. Quando adquiridos devem apresentar um intenso cheiro a maresia, replicado no sabor que os carateriza quando consumidos.

Para os cozer os especialistas recomendam a utilização de uma rede – do tipo da que é usada para fritar batatas – onde se colocam os percebes que são mergulhados em água a ferver durante um curtíssimo espaço de tempo. Retirados da água, tira-se um exemplar e, se o pedúnculo se desprender facilmente da unha, estão prontos a consumir.

Seguiu-se o camarão de Espinho, um crustáceo que se carateriza pelo seu corpo transparente e rosado e em Portugal se distribui ao longo de toda a costa continental e no arquipélago dos Açores.

E também a gamba do Algarve, o crustáceo mais popular entre os consumidores da cervejaria da Avenida da Liberdade.
Na ‘secção’ dos camarões a recomendação para cozer é colocar na panela com água a ferver e quando aparecer uma auréola de espuma, é sinal de que está pronto.

Cervejaria Ribadouro

A Cervejaria Ribadouro forneceu em 2016 11.000 Kg de camarão, 4.000 Kg de sapateira, 2.500 Kg de sapateira e 30.000 litros de cerveja.

Fundada em 1947, desde agosto de 2014 que conta com um Quiosque com esplanada instalado na Avenida, mesmo em frente da «casa mãe».

Com uma oferta que vai para além dos mariscos, a cervejaria Ribadouro está integrada no Grupo Portugália que conta atualmente com 32 unidades de restauração em território nacional e uma em Macau.