//Mais uma guerra do Vinho
a guerra do vinho

Mais uma guerra do Vinho

Depois da Comissão Europeia ter aceite considerar o pedido da Croácia para dar ao vinho nacional Prošek um rótulo de nome de ‘Origem Protegida’, Itália e Croácia encontram-se num debate cultural e político aberto.

A Itália afirma que o nome é parecido com a palavra Prosecco e isso pode confundir os consumidores, enquanto que a Croácia afirma que o nome Prošek faz parte do património nacional. Ambos os países têm 60 dias para apresentar os argumentos e a Itália já o fez: o Ministério da Agricultura lançou a sua contraofensiva e enviou no dia 9 de novembro à UE um dossier que contem todas as razões históricas e legislativas em apoio do argumento italiano contra o pedido de reconhecimento da indicação geográfica tradicional europeia para o Prosek croata. Segundo os italianos, o nome croata é demasiado semelhante ao da sua ‘estrela mundial das bolhas’, de tal forma que um consumidor médio informado poderia confundi-lo com o vinho italiano, mais famoso.

a guerra do vinho prosecco

A liderar o projeto de defesa está o vice-secretário de estado da Agricultura, Gian Marco Centinaio, que afirma:  “Até hoje, tivemos problemas com os chamados nomes de “sonoridade italiana” relativos a outros países fora da UE, como os Estados Unidos ou a China (…)”.

A Croácia argumenta que o nome Prošek tem séculos, mas os comerciantes locais do vinho italiano acreditam que o rótulo croata é a versão traduzida do local de origem do Prosecco. Marina Montedoro, responsável pela zona de produção de Prosecco DOCG (Denominações de Origem Controlada e Garantida) de Valdobbiadene e de Conegliano, que é agora património Mundial da UNESCO, diz que o reconhecimento ao vinho Prosecco “ajuda a economia, move turistas para a região durante o ano todo e faz com que Prosecco seja uma marca que já faz parte da cultura e das tradições locais”. O vinho Prosecco é um dos produtos italianos mais vendidos no mundo, contando com vendas de 2,4 milhões de euros por ano, sendo a maioria exportada.

O sucesso dos produtos italianos desencadeou uma vasta produção de imitações que correm o risco de confundir os consumidores, das quais Prosek é apenas o mais recente exemplo: a alemã Meer-secco, Kressecco, Semisecco, Consecco e Perisecco foram são exemplo do que esta a acontecer. De acordo com o Coldiretti, “os brancos austríacos, o Prosecco russo e o Crisecco da Moldávia também chegaram ao mercado, enquanto no Brasil, na região do Rio Grande, vários produtores reivindicam o direito de continuar a utilizar a denominação Prosecco como parte do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul”.

A Croácia tem 60 dias para apresentar contra-argumentos aos quais a Itália, representada pela MiPAAF, Ministério das Politicas Agrícolas, Alimentares e Florestais, terá o direito de voltar a aderir, juntamente com todos aqueles que já apresentaram objeções, incluindo os três consórcios e as regiões em causa.

Os especialistas dizem que é muito cedo para avaliar qualquer impacto negativo, no entanto, qualquer que seja a decisão, a Itália não é o único país europeu a aguardar o resultado.