//Loures – Fatiota de Coelho
a fatiota do coelho

Loures – Fatiota de Coelho

A Fatiota de Coelho, renascido da tradição com ligação à confeção desta carne, é um prato, como os proprietários do Restaurante o descrevem, composto por uma proteína típica da região, salada saloia, batata frita com casca, molho guloso, mas simples, com azeite e coentros.

No meio de tanta simplicidade, na qual nem o coelho é temperado antes de grelhar, para não arriscar, só faltava introduzir uma diferenciação e um dia a luz acendeu-se: Desossa! Começaram a desossar, introduzindo a diferenciação pretendida e retirando do coelho o seu inconveniente, os ossos. “Et voilá”, com esta simples solução, os clientes começaram a voltar para repetir o prato. Faltava apenas o nome.

Adotou-se então o nome Fatiota de Coelho como nome provisório, até os proprietários encontrarem um nome para a sua mais conhecida iguaria, que continuam a procurar. Prato criado e servido no Restaurante Chão do Prado, a Fatiota de Coelho é hoje um prato que marca a identidade saloia, mas que já se faz um pouco por todo o país.

Um Pouco de história

A gastronomia é um elemento importante que carateriza a etnografia da região saloia. As gentes que da terra tiravam o seu sustento, nomeadamente produtos hortícolas e frutícolas, criaram verdadeiros tesouros gastronómicos, através da utilização dos produtos que cultivavam e com os quais abasteciam os mercados de Lisboa. Integravam ainda os produtos de caça, pesca e pastoreio, dando asas à criação regional.

Por oposição à cidade, os saloios estavam intrinsecamente ligados ao campo e a sua alimentação ligada à terra. O Inquérito Agrícola de 1890 coloca Loures como o 1º concelho quanto ao território de Lisboa e Santarém, no que concerne a culturas agrícolas. Em finais de 2013, foi reaberto o Restaurante Chão do Prado, um espaço idílico sobre as vinhas de Bucelas, surgindo com a criação de um novo prato aliando a tradição da caça e de um produto tão típico desta região à simplicidade da cozinha portuguesa genuína: a “Fatiota de Coelho”.

fatiota de coelho

 

Harmonização

A harmonização, tendo em conta que nos encontramos na única região exclusivamente demarcada para vinhos brancos e espumantes, Bucelas, só faria sentido com um vinho de estilo único – o Arinto de Bucelas. Nestes vinhos complexos, de cor citrina e sabor e aroma frutado, sobressaem a acidez e a mineralidade, característica da casta arinto. São secos, leves e quando envelhecidos, ganham um belo tom amarelo–dourado e aromas terciários complexos. São por isso, vinhos brancos especiais muito apreciados, reconhecidos e premiados a nível nacional e internacional.

Os vinhos espumantes, dadas as características do vinho base, apresentam-se com aroma e sabor bastante frutados, acentuada frescura, e uma bolha fina e persistente que lhes confere uma excelente qualidade. Para sobremesa, as famosas Filhoses de Loures ou Filhoses Saloias que eram, tradicionalmente, as mais utilizadas no Carnaval em Loures, mas que hoje se consomem todo o ano. São umas filhoses estendidas, também designadas de “orelhas de abade”. O sagrado alimento da religião cristã, o pão, dava nestes dias lugar a um pedaço de massa frita em formato de orelha, estaladiço, que é regado com uma maravilhosa calda de açúcar.

 

‘Memórias de Sabores’ – Homenagem

Olhando para o panorama vínico e para a história de Bucelas, não poderíamos deixar de prestar homenagem a António João Paneiro Pinto, bisneto de António Joaquim Pinto Júnior e de João Camillo Alves, ambos produtores de Vinho de Bucelas desde 1880. Iniciou a sua própria produção na Quinta do Chão do Prado, em Bucelas, em 1993, tendo começado por reestruturar a vinha, replantando sete hectares. Nos oito hectares de vinha de que atualmente dispõe, produz um vinho branco seco DOP Bucelas a partir das castas arinto, esgana-cão e rabo de ovelha. Logo ao iniciar a atividade, demonstrou o seu caracter inovador, produzindo o primeiro espumante Arinto desta região. Este bruto natural constituiu uma novidade no mercado e foi o primeiro passo para que Bucelas viesse a ser demarcada como região de vinho espumante, em 1999. Em 2001, a Quinta do Chão do Prado produziu também o primeiro Bucelas Colheita Tardia, em que a presença de botrytis é bastante notória.

 

(Conteúdos produzidos pelo município de Loures, para ‘Harmonizações, histórias e Memórias’, aquando da comemoração dos ‘21 Anos da Gastronomia Património Cultural’, promovida pela AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho)