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Lajes do Pico e o Vinho

Aqui, o modo de cultivo da vinha é único no mundo. Prova da sua singular importância e singularidade é o facto de a UNESCO ter considerado a Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património Mundial da Humanidade.

 

Concelho

Situa-se na ilha do Pico, Açores, tem 154,35 km² e quase 5 mil habitantes. A leste e sul tem costa no oceano Atlântico.

No concelho de Lajes do Pico, o património natural e edificado tem três pontos essenciais: a terra, cujos motivos principais são a vinha e o vinho; o mar, tendo a baleia e a baleação como elementos centrais; e as pessoas, cujas características mais vincadas se prendem com a sua luta contra o lado negativo das forças da natureza – e aqui a sua luta é indissociável da sua religiosidade.

 

 

Região

Com a Montanha do Pico sempre no horizonte, o vinho dos Açores tem uma longa tradição e aqui a sua produção assume várias particularidades, a começar na plantação. Os vinhedos são cultivados nos chamados currais, entre muros de pedra erguidos para proteger as vinhas do vento agreste e do ar salgado do mar.

 

Vinho

A cultura da vinha está associada aos primeiros tempos do povoamento, nos finais do século XV. O vinho verdelho, a partir da casta do mesmo nome, ganhou reputação mundial ao longo dos séculos. Durante mais de duas centenas de anos o verdelho do Pico teve fama internacional, nomeadamente, Inglaterra, Américas e Rússia, onde terá chegado à mesa dos czares. A partir do século XIX são introduzidas novas castas que dão origem a vinhos de mesa tintos e brancos.

Predominam três castas nobres, raras e exclusivas, que contribuem para a singularidade dos vinhos dos Açores: Verdelho (casta emblemática dos Açores), Terrantez e Arinto dos Açores.

 

Gastronomia

Aqui o mar é generoso. Crustáceos, moluscos e peixes de vários tamanhos e sabores são manjares inigualáveis. Sugestões: “polvo guisado em vinho de cheiro” ou “molha de carne à moda do Pico”.

 

Oferta Enoturística

Vinha – Património UNESCO

Um modo de cultivo único no mundo, Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (criada em 1996), classificada como Património Mundial da Humanidade. “Ali, nas chãs de beira-mar, quase nem existia amostra de terra. Experimentaram meter a vinha por entre o burgalhau, nos interstícios das lajes e dos moledos. Se a camada pedregosa engrossava demasiado, escavavam buracos de quinze a vinte palmos de fundo por sete a dez de boca – e lá muito em baixo plantavam a videira.”— Dias de Melo, ‘Pedras Negras’ (romance), 1964.

 

Museu dos Baleeiros

O Museu do Pico reúne as extensões (pólos) do Museu dos Baleeiros, na vila das Lajes, do Museu da Indústria Baleeira, na vila de S. Roque do Pico, e do Museu do Vinho, na vila da Madalena. O edifício do museu é constituído por um conjunto de três antigas casas de botes baleeiros do séc. XIX e complementado por uma tenda de ferreiro anexa, integrada num novo corpo edificado e fortemente marcado por uma arquitetura de inspiração baleeira norte- -americana.

 

 

Feiras e Eventos

Semana dos Baleeiros

É sobretudo uma manifestação do culto dos picoenses a Nossa Senhora de Lourdes que protegeu antigos baleeiros ameaçados pela tempestade (finais de 1882).

 

Festas do Divino Espírito Santo

As erupções vulcânicas na ilha foram a razão próxima desta devoção. As populações, apavoradas, prometeram votos ao Divino Espírito Santo e nunca mais deixaram de cumprir esse voto.

 

Império de São Pedro

Evento religioso com oferta de ‘rosquilhas’, sendo que, em certos anos, a distribuição ultrapassa as 4.000.

 

In: Territórios Vinhateiros, Olivícolas e Corticeiros de Portugal, edição da AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho.

Publicação no Jornal dos Sabores numa parceria com a AMPV

 

Imagem: Cais do Pico