//Lafões: Gastronomia e Emoções
lafões

Lafões: Gastronomia e Emoções

A região de Lafões recebeu a retoma das comemorações do Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa.

 

Após uma interrupção provocado pela pandemia, as confrarias gastronómicas voltaram a reunir-se para assinalar aquela que é para mim, (desculpem a franqueza) a segunda data mais importante da gastronomia portuguesa. A primeira, para mim, naturalmente, é a que assinala a elevação da gastronomia a Património Cultural Imaterial de Portugal.

 

Mas o que interessa agora, neste meu texto de opinião, é o que se passou na região de Lafões nos dias 28 e 29 de maio. Desde logo, assinalo o facto de se unirem as confrarias, dos Gastrónomos de Lafões e do Frango do Campo e com estas, os municípios de Vouzela, S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades.

 

Estas ‘parcerias’ resultaram num fim-de-semana em cheio como costuma dizer-se, com a manhã de sábado a iniciar-se com uma receção no município de Vouzela, uma interessantíssima visita ao centro histórico da vila, a que se seguiu uma palestra relacionada com a ‘Carta Gastronómica da Região de Lafões’ e as confrarias. Por ter sido eu o orador, não comento.

 

Depois de um excelente almoço, fomos para Manhouce no concelho de S. Pedro do Sul. E falar de Manhouce é falar desse nome incontornável da cultura portuguesa que é, ainda felizmente, Isabel Silvestre. E lá estava ela a apoiar as crianças e jovens que se apresentaram com trajes e cantares de Manhouce numa clara demonstração de que o legado tradicional impulsionado pela Isabel Silvestre vai ter continuidade.

 

lafões

 

Na ocasião foi inaugurado um pequeno núcleo museológico e assistiu-se a um cortejo etnográfico com paragens para reconstituição da tecelagem, da desfolhada e preparação do milho, fabrico de broa e manteiga, entre outras atividades tradicionais. Verdadeira viagem ao passado.

 

lafoes

 

À noite, na festa da vitela, o próprio presidente da Junta de Freguesia de Manhouce preparou para os confrades uma ‘Vitela à Lafões’ que estava, “de lamber os beiços” como diz o povo. Já agora, Vitela de Lafões IGP – Indicação Geográfica Protegida.

 

 

No domingo, ‘oficialmente’ o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, que resulta da aprovação na Assembleia da República em junho de 2015, por unanimidade, de um projeto de resolução que instituiu este dia a assinalar no último domingo de maio.

 

Depois de uma receção no município, com a presença do presidente da Câmara e após um pequeno desfile, seguiu-se uma fantástica mostra de culinária que juntou o frango do campo e o queijo S. Jorge DOP. O confrade do queijo açoriano e também cozinheiro fez ‘magia’ com estes dois produtos, que valorizou inovando, sem agredir a tradição.

 

Seguiu-se uma visita ao Museu Municipal e uma palestra partilhada por Carlos Tavares Rodrigues que recordou o Chefe Silva e as suas ligações a Lafões e o Chefe e formador José Maria Moreira que falou dos 500 anos de história do Queijo S. Jorge DOP.

 

lafões

 

Ao almoço voltámos a ser surpreendidos pela versatilidade do produto denominado ‘frango do campo’ e permitam-me sublinhar a excelência dos vinhos servidos onde, a par do Dão, começam a fazer-se notar pela positiva os vinhos de Lafões. A estar atentos pois o futuro vínico da região parece promissor. Assim seja: ‘Gastronomia e Vinho, porque ninguém é feliz sozinho’.

 

 

Nota final para uma certa emoção que senti e tive oportunidade de confirmar.

Em primeiro lugar pela organização conjunta das duas confrarias. Depois pelos autarcas no orgulho – mais do que merecido – do que proporcionaram e promoveram.

Pelos confrades e confreiras que sentiam um certo retomar da atividade confrádica, mas também uma certa expetativa pelo futuro pois este foi o primeiro evento da nova direção da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, organismo que impulsionou este dia a nível nacional.

E finalmente, uma certa emoção do presidente da Federação – que fez questão de evidenciar a presença de outros membros da direção – perante o evidente e entusiástico apoio manifestado pelas confrarias presentes. Que não foram muitas nem poucas, mas apenas as que quiseram, ou tiveram a oportunidade de marcar presença.

 

Lafões pode ter sido o ‘pontapé de saída’.

 

Amilcar Malhó

 

Fotos: João M. Gomes Costa