//Jogadores de futebol ‘alimentados’ a pão, água e leite

Jogadores de futebol ‘alimentados’ a pão, água e leite

“No país deles comiam pior”, era a teoria de um dos empresários que transformam em inferno a vida de muitos jogadores de futebol estrangeiros em Portugal.

Chegam todos carregados de esperança numa carreira de sucesso no mundo do futebol, mas por lesões ou ‘rejeição’ acabam abandonados ou em pequenos clubes sem capacidade para lhes proporcionar a vida com que um dia sonharam.

A reportagem assinada por Liliana Carona e publicada no site da Renascença revela declarações de um atleta a jogar Clube Desportivo de Gouveia que afirma: “Sei de um clube cá em Portugal com jogadores do Zimbabué em que o empresário deles meteu-os todos a viver num apartamento e dava-lhes alimentação muito fraca, baseada em pão, água e leite. Supostamente, no país deles comiam pior, era a teoria dele”, lamenta.

O jogador, que prestou as declarações sob anonimato está a jogar no Desportivo de Gouveia, no distrito da Guarda, cujo presidente, referindo-se ao senegalês de 22 anos Abdoulaye Daffé, abandonado pelo empresário que o acompanhava, revelou: “O suposto empresário, mercenário, durante a época, desligou-se do acompanhamento ao atleta e Abdoulaye não tinha para onde ir, não tinha família cá. Acabámos por proporcionar alojamento, alimentação e dinheiro para algumas despesas diárias. Estes jogadores são considerados jogadores amadores, não têm uma retribuição, mas nós damos uma pequena compensação que varia entre os 100 e os 300 euros”, explicou à Renascença.
Outro atleta, cabo-verdiano de 20 anos conta que “os empresários trazem os jogadores para cá e metem-nos a jogar para ver. Se não der para jogar, deixam-nos sem as documentações. Tive um caso de uns amigos que dormiam debaixo do estádio. E nem vou falar da alimentação…”

Vindos da América do Sul, de África e outros países, chegam com o objetivo de jogar na I Liga, mas se não «rendem» em campo o que se espera ou não caiem nas «graças» de treinadores e dirigentes, são abandonados pelos empresários que os trouxeram com visto de turistas, por três meses. Passam a comer mal e passar dificuldades que não querem reconhecer perante as famílias que esperam lhe seja enviada alguma ajuda financeira.

O outro lado do futebol. Jogadores alimentados a pão, água e leite.

Fonte: Renascença (rr.sapo.pt)