//Importamos quase tudo o que comemos

Importamos quase tudo o que comemos

Entre 2007 e 2017 Portugal importou 3460 milhões de euros em produtos alimentares. Só temos autossuficiência no vinho, azeite, leite e tomate.

Apesar de termos a terceira maior Zona Económica Exclusiva da Europa, os produtos de pesca são dos que mais importamos. Entre 1986 e 2017 a captura de pescado em Portugal registou uma redução de 63% e o setor das pescas viu o emprego reduzir-se 60%.

Já a produção agrícola, no mesmo período, caiu 44% em termos reais e o setor passou de 900 mil empregados para pouco mais de 300 mil.

Num artigo assinado por Vítor Andrade, publicado no Expresso Economia do passado dia 22, pode ler-se que o Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), do Ministério da Agricultura, revelou que o défice da balança alimentar passou de €3878 milhões para €3460 milhões, entre 2007 e 2017.

No mesmo artigo, Eduardo Diniz, diretor do GPP refere: “Com a crise houve uma pequena melhoria, pois houve uma contração no consumo e comprámos menos ao exterior. Agora, porém, já estamos a consumir mais, outra vez”. Aquele responsável sublinha mesmo que “o nosso défice alimentar é dos maiores da Europa”.

Por seu lado, Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), considera que Portugal até está no bom caminho e que o sector até está a produzir mais, tanto para consumo interno como para as exportações, “mas os nossos padrões de consumo atuais não se adaptam à produção que temos. Na fileira agroflorestal até temos um balanço positivo, mas no sector agrícola, por si só, não acredito que alguma vez possamos vir a atingir o autoaprovisionamento total”.