//Haxixe como ingrediente gastronómico

Haxixe como ingrediente gastronómico

No Chile, chef ensina a cozinhar com utilização da planta, com o objetivo de constituir uma alternativa para doentes crónicos.

A cannabis (haxixe) como ingrediente na gastronomia é a proposta da chef argentina Natalia Revelant, que combina a planta com produtos orgânicos como frutas, farinha de mandioca, amêndoas, grãos e sementes para produzir chocolates, pão de ló, bolos, sumos e leite.

A chef Revelant, que dá aulas sobre as suas receitas na Fundação Daya, em Santiago do Chile, uma ONG que promove o uso medicinal da cannabis, afirmou que descobriu “um novo universo com a cannabis”.

A preparação de comida com a cannabis é uma alternativa para os doentes crónicos que já utilizam o óleo e a resina da planta ou medicamentos para combater as suas doenças. Tudo pode ser utilizado: a raiz, mas também o talo e as folhas que são usados em saladas, para cozinhar carnes ou fazer sumos. A flor, mais conhecida como miolo, e as sementes são perfeitas para as sobremesas, chocolates ou pães de ló — explica a chef, que combina a cannabis com outros ingredientes que tenham semelhanças com os seus compostos aromáticos, para disfarçar o sabor não muito agradável da maconha.

Propriedades nutricionais e curativas

Com propriedades nutricionais como ácidos graxos essenciais, a cannabis pode ser usada para combater sintomas de inflamação. As propriedades medicinais da planta estão nos canabinoides, compostos que também são responsáveis pelos efeitos alucinogénios como o THC. Por isso, é importante dosar exatamente a quantidade que será usada na preparação da comida: entre 0,1 e 0,5 gramas de cannabis em cada porção de comida é o recomendável para evitar os efeitos alucinogénios da maconha.

No Chile, onde o Congresso discute a descriminalização do cultivo por indivíduos nas suas casas, permite-se o consumo particular de cannabis, mas a sua venda é penalizada. Em março do ano passado foi iniciada no país a maior plantação legal de cannabis da América Latina, destinada à elaboração de um medicamento experimental que inicialmente será usado em quatro mil pessoas com cancro, epilepsia refratária e dores crónicas, entre outras doenças, como parte de um projeto científico