//Guerra na Ucrânia: Corrida ao óleo alimentar?
guerra na ucrânia

Guerra na Ucrânia: Corrida ao óleo alimentar?

Efeitos da guerra na Ucrânia fazem sentir-se também em supermercados, que começam a racionar as vendas de alguns produtos em particular como o óleo de girassol e a farinha para massas.

Depois de enfrentarmos coletivamente uma pandemia global, o mundo vê-se agora a enfrentar uma guerra na Europa em pleno terceiro milênio.

Este cenário que parecia impossível tornou-se realidade e os impactos económicos e materiais da guerra na Ucrânia já começaram a fazer-se sentir e Portugal não é exceção. Os combustíveis e a eletricidade dispararam e há uma grande incerteza nos mercados quando ao futuro próximo.

O setor alimentar também não parece ter sido poupado, com alguns produtos em risco de sofrer também eles escaladas de preços.

Em declarações ao jornal Expresso, Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP (Confederação dos Agricultores Portugueses), avisa esta semana que será possível assistir a um aumento brutal dos preços em prateleira, sendo que, segundo o mesmo, já há racionamento a ser ponderado entre produtores.

“Estamos numa situação de emergência alimentar como não me lembro de se ter vivido”, começa por afirmar, acrescentando: “Além de um aumento de preços, haverá carência de produtos, o que leva à especulação, que, por sua vez, leva a um novo aumento. É impossível saber até onde vai chegar a escalada.”

Para fazer face à situação, os supermercados foram forçados a racionar as vendas de alguns produtos em particular, e o responsável da CAP deixou outro aviso: “O stock de alguns produtos, como a farinha para massas, é tão reduzido que daqui a um ou dois meses podemos ter de fazer racionamentos como aconteceu nos anos 70”.

óleo alimentar

Os Retalhistas, portanto, já estão a ‘apertar o cinto’ e de acordo com uma notícia publicada pelo Jornal de Notícias, entre outras empresas, a retalhista espanhola Mercadona estaria já a fazer gestão de stocks.

Como pôde confirmar a DISTRIBUIÇÂO HOJE junto de fonte oficial, na cadeia de supermercados de origem espanhola, a cada cliente, já só é permitida, em Portugal, a venda de 3 Litros de óleo de girassol. De acordo com dados recolhidos pela Statista, empresa especializada no tratamento de dados, a Ucrânia e a Rússia produzem quase 60% das sementes de girassol em todo o mundo. Para além de ser o maior produtor deste bem, a Ucrânia é também o maior exportador mundial de óleo de girassol, vendendo para o estrangeiro 5,27 milhões de toneladas durante os anos de 2020 e 2021, o que representa mais de metade do volume de exportações deste produto.

Com a instabilidade vivida na região, em várias lojas de diversas cadeias, seguiu uma imposição de limite de venda destes produtos por cliente. Frutas e legumes estão mais caros, pois para além do aumento do custo das matérias primas, os comerciantes falam também em escassez dos produtos.

Depois do papel higiénico virá a corrida ao óleo alimentar? A este propósito, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, procurou tranquilizar os portugueses, garantindo que “não vale a pena ir a correr ao supermercado esgotar o papel higiénico ou óleos de girassol” e que o abastecimento de bens essenciais está garantido.