//Gastronomia, arte e indústria conserveira
a industria conserveira

Gastronomia, arte e indústria conserveira

De 10 de março a 8 de maio, a exposição ‘Eat & Art’ levará 18 obras ao Museu e Igreja da Misericórdia do Porto, com o objetivo de divulgar as afinidades entre gastronomia e arte contemporânea e centrar o diálogo na indústria mais antiga de Portugal, a indústria conserveira.

A exposição ‘Eat & Art’ inaugurada na passada quinta-feira, 10 de março, no Museu e Igreja da Misericórdia do Porto (MMIPO) leva 18 obras ao Museu e Igreja da Misericórdia do Porto que estarão expostas até maio. Esta iniciativa “tem como principal objetivo divulgar as afinidades entre gastronomia e arte contemporânea, tendo como protagonistas os melhores chefs e artistas plásticos portugueses, centrando o diálogo na indústria mais antiga e querida de Portugal, a indústria conserveira”, explica a organização.

industria conserveira

‘Eat & Art’ é também o nome de um livro lançado em 2020, cujo tema central é precisamente a indústria conserveira e a ligação entre a gastronomia e a arte contemporânea. O projeto, desenvolvido pelo Can The Can, envolveu 18 obras de arte e 18 pratos pensados com esse mesmo tema como inspiração central.

O resultado desses trabalhos estará disponível agora no MMIPO, numa exposição que segundo a organização, pretende “satisfazer as necessidades do coração, cabeça e estômago”.

A Poveira, Briosa, Comur, La Gondola, Pinhais, Ramirez e VianaPesca são algumas das marcas de conservas que participaram na iniciativa. Além das criações dos 18 chefs, poderão ser igualmente vistas as obras de arte de 18 artistas plásticos conceituados, como Pedro Tudela, Nuno Nunes Ferreira, Fátima Mendonça, Ana Vidigal ou a famosa Julia Côta.

Em breve, a exposição irá passar ainda por cidades como Portimão e Lisboa.

 

A Indústria Conserveira em Portugal

Foi no início do século XIX, que duas descobertas fundamentais lançaram as bases da indústria conserveira que hoje conhecemos. Em 1804, o francês Nicolas Appert descobre o princípio da conservação dos alimentos através da esterilização pelo calor, em recipientes de vidro hermeticamente fechados. Esta descoberta, designada de método Appert (ou appertização), permitiu um intervalo de tempo de conservação até, então, nunca alcançado.

Em 1810, é a vez do inglês, Peter Durand, patentear um invólucro metálico feito de folha de flandres para as conservas, a lata, arranjando uma forma de a tornar num recipiente apropriado para a conservação de alimentos e garantindo o acondicionamento destes num meio hermeticamente fechado. Nascia, assim, a conserva em lata, enquanto produto alimentar industrial, de enorme potencial.

De facto, ao constituir-se como um alimento natural de consumo seguro e saudável, com grande durabilidade e resistência, bem como de muito fácil utilização, pois, apenas bastava abrir a lata para os alimentos serem consumidos (o abre-latas é inventado em 1815), para chamar a atenção e tornar-se rapidamente num produto de grande sucesso. As primeiras fábricas começam a surgir em França, nos anos seguintes, e aos poucos, a técnica estende-se também a outros países, sendo que, em Portugal, a sua introdução, em 1854, se deve a dois industriais de Setúbal, Feliciano António da Rocha e a Manuel José Neto, que nesta cidade possuíam duas fábricas de géneros alimentícios, dedicadas, sobretudo, à produção de conservas de sardinha em azeite, segundo o método Appert e dentro de caixas de lata hermeticamente fechadas.

indústria conserveira

A partir da década de 80 do século XIX, a indústria está já instalada em Portugal, com as primeiras fábricas a utilizarem as duas inovações, o método Appert e a folha de flandres, , a escolherem os mesmos locais, onde, em época romana se implantaram as unidades de salga e produção de molhos de peixe – no estuário do Sado, mais precisamente, em Setúbal; e na costa Algarvia, sobretudo em Vila Real de Santo António, Olhão, Lagos e Portimão (a indústria conserveira moderna, também se implanta na foz do Tejo, mas com menor expressão que nas regiões referidas). Esta indústria vai-se desenvolver rapidamente, e ganhar um enorme protagonismo no panorama nacional, motivando o surgimento de novas fábricas, com um polo fundamental a emergir também no Norte, concretamente em Matosinhos.

Fonte: http://www.lxconserveira.pt

 

Imagem de Capa: https://foodandroad.com

Imagem conservas: http://www.lxconserveira.pt

Imagem Exposição: https://www.mmipo.pt