//Galo com Nozes

Galo com Nozes

A receita foi recuperada na Asseiceira e em outras aldeias dos arredores de Rio Maior.

Até meados do século passado, a vila de Rio Maior era o centro de uma região predominantemente agrícola, de pequenos proprietários, cujas casas tinham sempre um espaço destinado à “criação”, nome genérico que englobava os animais de penas e os coelhos, convivendo numa semiliberdade. A alimentação dessa população remediada incluía, portanto, com frequência, a carne destes animais. Em dias festivos, era necessário introduzir outros ingredientes que fizessem a diferença em relação ao quotidiano. Dada a abundância de nogueirais e de vinhas, as nozes e o vinho eram, naturalmente, os acessórios mais à mão para transformar um prato vulgar numa especialidade para dias especiais.
As pessoas mais velhas ainda se lembram de comer este prato em casa dos pais, nos dias de festa em que as normas religiosas permitiam comer carne. Mas, entretanto, caiu em desuso. Ultimamente, a receita foi recuperada na Asseiceira e em outras aldeias dos arredores de Rio Maior, tendo sido introduzidas algumas alterações no modo de a confecionar, e, neste momento, é considerado um prato emblemático do concelho, que, inclusivamente, o apresentou a concurso, em 2011, para a eleição das ‘7 maravilhas da gastronomia’.

Ingredientes
1 galo do campo, vinho tinto, alho, louro, pimenta preta e sal, cebola, azeite, banha de porco, tomate, salsa, nozes, arroz.

Preparação
Depois de limpo, parte-se o galo em pedaços pe¬quenos. As nozes são partidas em dois ou quatro bocados, conforme o seu tamanho. Juntam-se todos os ingredientes, cozinhando em lume brando e com o tacho tapado para não secar.
Acompanha com arroz feito do molho. Há quem junte passas de uva ao arroz para dar um perfeito contraste de sabores15.

Harmonização sugerida pela CVR Tejo
O Galo com Nozes é confecionado com vinho. Este acrescenta aromas, sabor e textura, funcionando como recetor e difusor de sabores. Para acom¬panhar este prato, sirva o vinho que escolheu para o preparar, de preferência um tinto complexo com madeira, da região Tejo.

Rio Maior
Elevada a vila em 1836 e a cidade em 1985, Rio Maior é sede de um concelho que alia uma entroncada tradição agrícola aos progressos da industrialização. Em tempos, foi um grande centro mineiro, tendo sido as suas reservas de linhite uma das maiores do País. Hoje, possui indústrias alimentares, de madeiras e de cerâmica, mas é o sal que verdadeiramente se destaca neste panorama.
É difícil imaginar, mas as marinhas de Rio Maior têm mais de oito séculos de história. Data de 1177 o mais antigo documento que se conhece que menciona Rio Maior e este é o comprovativo da venda, por parte de Pêro d’Aragão, de uma vasta área de terreno, que abarca o poço e as Salinas de Rio Maior, à Ordem do Templo. O poço original, entretanto, secou com a abertura de um novo. Diz a tradição que este último foi descoberto por uma pastora que apascentava uns animais. Quando a sede apertou, recorreu a uma poça que encontrou por entre uns juncos. A água que lhe chegou à boca tinha um gosto desagradavel-mente salgado e, quando mais tarde comentou em casa o ocorrido, o pai e os vizinhos apressaram-se a cavar a zona.
É de destacar que o sal das marinhas do concelho tem a particularidade curiosa de ser extraído da água de poços, alimentados pelas correntes de água que atravessam a extensa e profunda jazida de sal-gema. Talvez por isso, o produto daqui obtido seja consi¬derado superior em qualidade e mais forte que o sal marinho comum. Assim, um bom gastrónomo não vai a Rio Maior sem de lá trazer uns Queijinhos de Sal. A sua forma cilíndrica característica é conse¬guida moldando o sal com cinchos e depois cozido em forno de lenha. Para os usar, basta raspá-los com uma faca.