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Festival das Sopas de Sernancelhe

A 8.ª edição do Festival de Sopas e Encontro de Ranchos terá lugar nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro no Expo Salão de Sernancelhe.

O Festival das Sopas de Sernancelhe traz de volta os sabores da terra aliados aos saberes ancestrais, às artes e aos ofícios e às exibições sempre memoráveis dos ranchos folclóricos.

De regresso ao formato tradicional, o evento mantém o propósito de continuar a promover a gastronomia local, em especial o prato mais antigo do mundo, a sopa, que vai estar em destaque. O objetivo é de renovar hábitos antigos, impulsionar a cultura, o artesanato e as gentes de Sernancelhe e projetar turisticamente o território como espaço de história, onde a identidade se cultiva e celebra, porque afinal, além de nutrientes, a sopa traz histórias e tradições regionais.

Esta iniciativa assinala o primeiro momento integrado nas comemorações da Festa da Castanha, que este ano celebra 30 anos de existência. Este ano haverá também uma novidade dedicada aos mais novos: o Festival de Sopas propõe este ano uma atividade dedicada aos alunos do 1.º Ciclo do Agrupamento de Escolas, que serão desafiados a participar em sessões de sensibilização para os benefícios do consumo diário de sopa.

Sob o mote ‘Come sopa e a tua vida ganha mais cor’, esta iniciativa começará no dia 21, no Espaço da Castanha e do Castanheiro, e prolongar-se-á até dia 25. Durante os 3 dias, 16 associações locais irão confecionar os mais variados tipos de sopas que os visitantes poderão degustar. Veja aqui a lista das associações aderentes: https://www.cm-sernancelhe.pt/index.php/itemlist/category/12-festival-de-sopas.html

Os visitantes terão assim a oportunidade de descobrir, provando gratuitamente os sabores da terra aliados aos saberes ancestrais, às artes e aos ofícios e às exibições sempre memoráveis dos ranchos folclóricos.

 

Sernancelhe, A vila cujas ‘raízes mergulham na Seiva Lusitana’

“Cernancelhe foi, em tempos que lá vão, uma vila das mais antigas não só da Beira, mas de Portugal, e exerceu no passado alguma influência social e política na Região”. Dos tempos de Viriato não restam vestígios materiais e, quanto à certeza absoluta das origens do concelho que permitam estabelecer uma cronologia, é uma tarefa que nenhum historiógrafo arrisca. Nem quanto à origem do nome Sernancelhe. Uma hipótese é que durante uma investida árabe, o povo terá gritado ao valente cavaleiro cristão, de nome Celha, guardião do castelo, que fechasse a porta do castelo: “Cerra, Celha!”. Já o Foral de Egas Gozende fala em “Cernonceli”, enquanto no século X o termo parece apontar para “Seniorzelli”.

Os Romanos, que durante tanto tempo viram a sua invasão travada por ação dos bravos lusitanos, acabariam por assentar arraiais em Sernancelhe, no Monte Castelo (antigo castro, citânia dos lusitanos), ponto a partir de onde “estabeleceram uma cividade à qual aplicaram o regime agrário da vila”, refere o autor de “Terras da Beira – Cernancelhe e Seu alfoz”.

Terá sido aliás esse um momento marcante também na cultura e na formação da identidade do povo sernancelhense. Abade Vasco Moreira acredita que, com os romanos, Sernancelhe “assimilou a cultura latina que hoje possui” e, devido ao acentuado progresso agrícola que conheceu, foi nesta altura que apareceu o Concelho de Sernancelhe.

 

Gastronomia de Sernancelhe

É a matança do porco que tempera os sabores da gastronomia regional. As famílias reúnem-se em torno desta tradição invernal e aproveitam para degustar as filhoses de sangue e outras vísceras. Os torresmos, a carne entremeada, as fêveras assadas e o fígado frito com batata cozida são os pratos eleitos. É também graças ao porco que se prepara o fumeiro para consumir durante o ano seguinte: morcelas, farinheiras, moiras, chouriças e salpicões secam ao lume brando das lareiras, ao calor da giesta e do pinheiro recolhidos nas serras durante o Verão. Foi com a serra e com o rio que os sernancelhenses aprenderam a conviver à mesa. Séculos de proximidade com a natureza resultaram em especialidades como as enguias de barril, acompanhadas do famoso trigo da Lapa; os peixinhos do rio em molho de escabeche; ou o pão de trigo com queijo fresco de cabra produzido na encosta da serra da Lapa.

Do Távora brotam ainda petiscos muito apreciados nos restaurantes à beira rio, destacando-se as trutas fritas ou em molho de escabeche. Em plena capital da castanha, este fruto tem honras de rainha. É utilizado na cozinha como complemento alimentar, mas, em tempos substituiu a batata. Cozidas, assadas, em pudim ou em compota, são múltiplas as formas de saborear a castanha de Sernancelhe.

 

Fonte: https://www.cm-sernancelhe.pt/

imagens: https://www.cm-sernancelhe.pt/