//Ensopado de enguias

Ensopado de enguias

Atividade piscatória e de marisqueio tem grande importância económica para as populações que vivem nas proximidades da Lagoa.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa. Faz fronteira terreste com o concelho das Caldas da Rainha, a norte, e com o concelho de Óbidos, a sul. A ligação da Lagoa ao mar é feita através de um canal localmente designado por “aberta”. Por ela entram numerosas espécies piscícolas que fazem da Lagoa o seu viveiro, mas também uma espécie migradora de grande valor comercial, a enguia, que escolhe para viver locais de águas bem oxigenadas e pouco frias, com fundos de areia ou lodosos. A pesca é praticada a bordo das bateiras, embarcações tradicionais com duas proas, fundo chato, movidas habitualmente à vara e utilizadas tanto pelos pescadores como pelos mariscadores, que usam diferentes artes conforme a espécie que pretendem capturar. Esta atividade piscatória e de marisqueio, que assume grande importância económica para as populações que vivem nas proximidades da Lagoa e que nela encontraram, desde sempre, parte do seu sustento, influenciou a tradição culinária das famílias que se dedicam há várias gerações à pesca, e que constitui também uma das marcas identitárias dos concelhos de Óbidos e das Caldas da Rainha. O Ensopado de Enguias é um dos pratos tradicionais da zona ribeirinha da Lagoa, no qual se destaca não apenas a qualidade do elemento principal, as enguias, como também o pão que, de acordo com a tradição, deve ser cozido em forno de lenha.

Ingredientes
1,2 kg de enguias; 3 cebolas; 1,5 dl de azeite; 750 g de tomate maduro; 1 dente de alho; folha de louro; 1 colher de sopa de colorau; 1,5 dl de vinho branco; 2 pimentos; 200 g de fatias de pão caseiro torrado; coentros; sal e pimenta q.b.

Preparação
Amanham-se as enguias, cortam-se em bocados regulares e temperam-se com sal. Cortam-se as cebolas em rodelas e alouram-se com o azeite. Quando as cebolas estiverem bem louras, junta-se o tomate cortado em rodelas grossas, o dente de alho esmagado, o louro, a salsa, o colorau, o sal e a pimenta. Deixa-se refogar um pouco e introduzem-se as enguias, envolvendo-as bem no refogado. Rega-se com o vinho branco e deixa-se cozer sobre lume brando. Dez minutos depois de levantar fervura, adicionam-se os pimentos cortados em tiras. Deixa-se o ensopado apurar e serve-se numa terrina sobre as fatias de pão caseiro torrado.

Harmonização sugerida pela CVR Lisboa
Sugere-se os vinhos tintos DOC Óbidos, que apresentam cor entre rubi e granada, são frutados, encorpados, com um corpo e uma estrutura bastante agradável. São, em geral, vinhos macios e elegantes, com cor vermelha escura, sem ser opaco, e aromas de frutas vermelhas e maduras. Geralmente, apresentam-se com uma presença discreta de estágio em madeira, sem exageros. Vêm de uma zona perto do mar e protegida pelo Montejunto, com vinhas em chão de terra fértil e com muito sol.

Óbidos
O recorte da marulha vê-se de longe. Altaneira, esta linha defensiva hoje protege uma das joias do turis¬mo nacional: cerca de 14 hectares de história viva e preservada por uma faixa de pedra antiga. Do alto das suas torres, avista-se o concelho. Daqui entre¬ve-se o casario disperso, os campos arados, a lagoa, batizada com o nome da vila, o oceano, ao longe, a provar a escolha privilegiada deste local que parece ter tudo: porto de mar, terras férteis e o sistema lagu¬nar costeiro mais extenso da costa portuguesa. Aqui, ainda hoje se capturam espécies como o robalo, o linguado, a solha, a tainha, a amêijoa, o berbigão, o mexilhão, o camarão, o polvo e a enguia que muito influenciam a oferta gastronómica da região.
Desde cedo que as condições geográficas favorá¬veis foram reconhecidas pelos povos que por aqui passaram e se fixaram. Ao povoamento neolítico sabe-se que se seguiram, mais tarde, os romanos, os visigodos e os árabes. D. Afonso Henriques, depois de conquistar Lisboa, dedicou-se a submeter as re¬giões vizinhas. Óbidos caiu nas mãos lusas em 1148. No século XIV, esta terra já afirmava a sua importân¬cia. Poucas eram as povoações que, naquela altura, apresentavam uma área tão extensa intramuros . Depois, com o andar da História, foi perdendo peso, mas talvez tenha sido isso que a salvou. O progresso das Caldas da Rainha, que lhe roubou toda a impor¬tância, preservou esta vila acastelada de inovações do ‘fácies antigo’ , fazendo dela (…) um museu. Assim se escreveu, em 1955, no inventário da Academia de Belas-Artes e, atualmente, por se tratar de uma joia, muito temos que agradecer ao progresso não ter conseguido ultrapassar as muralhas.

IN: Os Sabores da Nossa Terra – Leaderoeste – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste.