//‘Uvada’: o doce das vindimas

‘Uvada’: o doce das vindimas

Era e continua a ser na época das vindimas que se faz a uvada (ou arrobe) para comer ao longo do ano.

A Uvada é um doce que desde há muitos anos é confecionado nas casas agrícolas produtoras de vinho em muitas regiões de Portugal, nomeadamente na Peninsula de Setúbal onde lhe chama arrobe ou arroube. Porque a base de confeção é o mosto de uva, era (e é) nesta época, entre finais de agosto e durante o mês de setembro, principalmente, que se fazia este doce a que também chamam ‘marmelada de uva’.

No caso da receita que apresentamos a origem é a região Oeste, sabendo-se de um registo de 1939, realizado por Hipólito da Costa Cabaço, em resposta a um pedido da Câmara Municipal de Alenquer, segundo o qual, para fazer Uvada, podia juntar-se ao mosto “maçãs, pêras, abóbora menina ou outros frutos” e, continua a descrição “vai ao fogo até ficar uma espécie de marmelada, junta-se-lhe cravos de cabecinha e canela em pau”. Não leva açúcar porque é feita com o mosto da uva concentrado, nomeadamente das castas Fernão Pires e Periquita, ao qual se junta canela e fruta, em geral maçãs de variedades regionais que seriam, neste caso, Repinaldo, Malápio e Bravo de Esmolfe, mas, com o desaparecimento quase completo destas variedades, utiliza-se atualmente a maçã Golden Delicious. A Uvada conserva-se de um ano para o outro e é consumida para barrar pão ou acompanhar frutos secos.

A recuperação da receita deste doce tradicional da região Oeste é da responsabilidade dos técnicos do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.
Como já se referiu, há outras regiões onde esta tradição doceira está as ser recuperada, nomeadamente em Torres Vedras, também na região Oeste, mas um pouco por todo o mundo se faz esta ‘redução’ de mosto que, devido às suas calorias, se torna um verdadeiro alimento.

Aproveite agora que vai começar a época das vindimas e atreva-se a procurar mosto nas adegas, ou fazer o seu próprio mosto e preparar uma surpresa para o próximo Natal.

Ingredientes
Mosto de uvas tintas; maçãs ou outros frutos da época das vindimas, pau de canela e cravos de cabecinha

Preparação
Num tacho deita-se o mosto das uvas e as frutas previamente cortadas em bocados grosseiros e limpas de caroços. Põe-se o tacho ao lume e mexe-se sempre, para não pegar. Deixa-se ferver em lume brando até ter uma consistência de pasta grossa, o que se percebe arrastando a colher de pau no fundo do tacho e verificando se abre “estrada”, como se faz para a marmelada.
Coloca-se o doce em tijelas de barro vidrado e cobre-se com papel vegetal embebido em aguardente.