//É tempo de fazer ‘Uvada’

É tempo de fazer ‘Uvada’

Era confecionado nas casas agrícolas produtoras de vinho da região Oeste, durante a época das vindimas.

A Uvada é um doce que desde há muitos anos é confecionado nas casas agrícolas produtoras de vinho da região Oeste, durante a época das vindimas, entre finais de agosto e outubro. A sua origem é desconhecida, mas sabe-se de um registo de 1939, realizado por Hipólito da Costa Cabaço, em resposta a um pedido da Câmara Municipal de Alenquer, segundo o qual, para fazer Uvada, podia juntar-se ao mosto “maçãs, pêras, abóbora menina ou outros frutos, vai ao fogo até ficar uma espécie de marmelada, junta-se-lhe cravos de cabecinha e canela em pau”. Não leva açúcar porque é feita com o mosto da uva concentrado, nomeadamente das castas Fernão Pires e Periquita, ao qual se junta canela e fruta, em geral maçãs de variedades regionais que seriam, neste caso, Repinaldo, Malápio e Bravo de Esmolfe, mas, com o desaparecimento quase completo destas variedades, utiliza-se atualmente a maçã Golden Delicious. A Uvada conserva-se de um ano para o outro e é consumida para barrar pão ou acompanhar frutos secos.
A recuperação da receita deste doce tradicional da região Oeste é da responsabilidade dos técnicos do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.
Em muitas outras regiões produtoras de vinho, chamam-lhe arrobe ou arroube.

Ingredientes
Mosto de uvas tintas; maçãs ou outros frutos da época das vindimas, pau de canela e cravos de cabecinha

Preparação
Num tacho deita-se o mosto das uvas e as frutas previamente cortadas em bocados grosseiros e limpas de caroços. Põe-se o tacho ao lume e mexe-se sempre, para não pegar. Deixa-se ferver em lume brando até ter uma consistência de pasta grossa, o que se percebe arrastando a colher de pau no fundo do tacho e verificando se abre “estrada”, como se faz para a marmelada.
Coloca-se o doce em tijelas de barro vidrado e cobre-se com papel vegetal embebido em aguardente.

Alenquer
Conta-se que nos tempos agitados da Reconquista, D. Afonso Henriques encontrou por estas paragens um aliado inesperado. Do alto das muralhas, apareceu-lhe um cão com a chave do castelo na boca e rapidamente lha fez chegar às mãos. O rei, surpreendido, tomou a atitude por ordem e exclamou “Alão quer!” e, sem perder mais tempo, tomou a fortaleza enquanto, sem o saber, batizava o local. Lendas à parte, Alenquer é uma povoação antiquíssima que nos oferece uma grande diversidade de paisagens invulgares e uma riqueza agrícola de grande significado. As velhas quintas solarengas, os bons vinhos brancos e tintos e a serra do Montejunto proporcionam, a poucos quilómetros de Lisboa, produtos de grande qualidade. Todo o concelho mantém fortes tradi¬ções agrícolas, sobretudo nos pomares de vários frutos e nas vinhas. Localizada numa alcantilada colina, partindo do topo de um outeiro em dire¬ção ao vale, a vila conquistou há muito o título de “Presépio de Portugal”. Anualmente, a Sagrada Família, pastores, anjos e os Reis Magos, em tamanho gigante, garantem o seu lugar numa das encostas da povoação.