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Douro aumenta a produção de Vinho do Porto

Douro aumenta produção de vinho do Porto para dar confiança aos viticultores e evitar que a região se transforme num grande lar de idosos devido ao êxodo rural.

O Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinho do Douro e Porto aprovou por unanimidade um quantitativo de 116 mil pipas de vinho do Porto, mais 12 mil que em 2021. O objetivo passa por manter a esperança de quem vive da vinha na Região Demarcada do Douro.

Este ano não houve grandes divisões entre as quatro associações que representam o comércio e a produção no Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinho do Douro e Porto (IVDP), que sublinharam a necessidade de dar um sinal de que ainda vale a pena trabalhar na viticultura.

O presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, justificou este crescimento como “um sinal de sustentabilidade para a região, num ano em que a imprevisibilidade é bastante grande”, devido à seca e às temperaturas muito elevadas.

De acordo com Igrejas, a decisão teve o apoio “unânime” das quatro associações representadas naquele conselho: Associação de Empresas de Vinho do Porto e Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal, do lado do comércio, e Federação Renovação Douro e Associação da Lavoura Duriense, que defendem a produção.

O quantitativo de benefício “entre 116 mil e 118 mil pipas”, foi sugerido ao Conselho Interprofissional por um programa desenvolvido pela Universidade do Porto, na qual foram introduzidos diversos parâmetros. Por sua vez, o comércio estabeleceu que o ideal seria produzir até 113.500 pipas. No final, por consenso, estabeleceram-se as 116 mil pipas.

“O acordo é importante para a sustentabilidade social e económica da região”, resumiu Rui Paredes, vice-presidente no Interprofissional pela parte da produção. “Porque se não valorizarmos o trabalhador, vai haver um grande êxodo e corremos o risco de o Douro se transformar num grande lar de idosos”, sublinhou.

António Filipe, vice-presidente pelo comércio, reconheceu que “foi reconfortante perceber que há uma vontade de estabilidade e de encarar responsavelmente a viabilidade e sustentabilidade da região, que é um problema muito sério”.

A emissão do comunicado de vindima é um dos momentos mais aguardados pelos viticultores durienses, pois é a partir dele que começam a fazer contas à vida. Por norma, o preço que recebem pelas uvas para a produção de uma pipa ronda os mil euros.

Gilberto Igrejas referiu que, neste momento, “o comércio deu a garantia de que vai comprar 116 mil pipas de vinho do Porto”.

Além da parte social, o presidente do IVDP aponta que o valor da comercialização de vinhos produzidos na Região Demarcada do Douro, em 2021, aumentou para 607 milhões de euros, o que “é um recorde”. Por outro lado, o presidente do IVDP referiu que “o primeiro semestre de 2022 mostrou que os vinhos portugueses, e particularmente os do Douro, continuam a mostrar uma boa resiliência”.

Adicionalmente, as empresas que comercializam o vinho do Porto têm necessidade de reforçar stocks para preparar o crescimento expectável das categorias especiais. Mas nem tudo são boas notícias, e o presidente da Federação Renovação Douro, Rui Paredes, reconheceu que este ano será complicado para os viticultores durienses, devido à seca e ao calor excessivo.

A  Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) deu como garantido que a produção de vinho “já não vai atingir o intervalo mínimo de 262 mil pipas” previstas com base no método do pólen.

As vinhas têm vindo a ressentir-se do stresse hídrico e Rui Paredes teme que se continuar a não chover até à vindima e as temperaturas permanecerem altas “os valores poderão descer para 220 ou 230 mil pipas”.